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O presidente do Irã, Hasan Rohani, garantiu nesta quarta-feira que o país está preparado para negociar com os Estados Unidos e os demais integrantes do acordo nuclear, desde que seja retiradas as sanções impostas pelo governo americano.

"No momento em que os Estados Unidos levante todas as sanções injustas, incorretas, cruéis e terroristas contra o Irã, os chefes do 5+1 poderiam se reunir novamente", garantiu o chefe de Estado, em um discurso exibido pela televisão local.

Em 2016, seis países firmaram com o Irã o acordo nuclear, que limita o programa atômico do país persa, em troca do levantamento das sanções internacionais. São eles: EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha.

O governo Trump decidiu, em maio de 2018, abandonar de modo unilateral o pacto e voltar a impor sanções ao Irã. Um ano depois, as autoridades iranianas decidiram reduzir gradualmente os compromissos nucleares.

"Não fechamos as portas para as negociações", garantiu Rohani.

O presidente manteve a postura que apresenta sobre o assunto nos últimos meses, que é oposta ao do líder supremo do país, Ali Khamenei, que nega qualquer tipo de diálogo com os americanos.

Rohani, no entanto, deixou claro que as sanções impostas são um "ato cruel da Casa Branca", e que a única opção do Irã é resistir.

O chefe de governo iraniano, ao falar sobre as conversas que levaram à assinatura do acordo, lembrou-se da conversa que teve por telefone na época com o então presidente dos EUA, Barack Obama, que classificou como "locomotiva altamente poderosa, para impulsionar o trem das negociações".

Segundo Rohani, o diálogo direto com o antecessor de Trump permitiu que fosse alcançado um acordo preliminar, e que na época o Irã só aceitou negociar a questão nuclear, se os Estados Unidos também colocassem outros assuntos em pauta.

O presidente iraniano não citou, mas os dois pontos seriam o programa local de mísseis balísticos e a influência regional do país persa, mediante o apoio ao regime da Síria ou ao grupo libanês Hezbollah, problemas que Trump alegou para se retirar do acordo, em 2018.

Com a saída americana, o Irã tomou medidas como ultrapassar os limites permitidos no acordo para o armazenamento e o enriquecimento de urânio.