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O presidente do Peru, Martín Vizcarra, disse nesta quarta-feira que espera que os depoimentos que o Ministério Público ouvirá de ex-funcionários da Odebrecht a partir de amanhã permitam determinar "quem são os responsáveis pela grande corrupção" investigada pelos desdobramentos da operação Lava Jato no país.

"Esperamos que, com a independência que corresponde ao Ministério Público, possamos receber as declarações para chegar à verdade, que seja determinado quem são os responsáveis pela grande corrupção", disse Vizcarra hoje ao ser perguntado pela imprensa.

O mandatário ressaltou que os ex-funcionários da construtora que serão ouvidos a partir de amanhã, no Brasil, "são os cúmplices da corrupção da Lava Jato, da Odebrecht no Peru" e que "este ano é de fortalecimento da luta contra a corrupção e a impunidade" no Peru.

Os procuradores da equipe especial da Lava Jato no Peru ouvirão amanhã Hilberto Mascarenhas e Maria Guimarães para que esclareçam os supostos pagamentos de propinas para a construção da estrada Interoceânica Norte e o metrô de Lima, durante o segundo mandato do ex-presidente Alan García (2006-2011).

Mascarenhas e Maria foram funcionários da Divisão de Operações Estruturadas, que funcionava como caixa 2 da empreiteira, e devem esclarecer os depósitos de US$ 29 milhões feitos em contas do empresário peruano Gonzalo Monteverde pela Construtora Internacional do Sul e pela Klienfeld Services, empresas estabelecidas pela Odebrecht em paraísos fiscais.

O presidente peruano ressaltou que a diligência, a cargo da equipe especial do Ministério Público para a operação Lava Jato e com participação da procuradora pública do Estado, Silvana Carrión, é "um tema extremamente importante".

Além disso, procuradores assinarão na sexta-feira o acordo de delação premiada com representantes da Odebrecht no Consulado Geral do Peru em São Paulo.

O acordo fornecerá documentação e depoimentos para esclarecer a rota dos depósitos feitos pela empresa a favor de servidores no Peru que facilitaram a concessão de obras e beneficiaram políticos em campanha que poderiam impulsionar os negócios da empreiteira em território peruano.

Após a assinatura do acordo, os procuradores peruanos tomarão os depoimentos dos ex-funcionários Marcos de Queiroz Grillo, José Américo Vieira Spinola, Luiz Fernando de Castro Santos, Sergio Nogueira Panicali, Igor Braga Vasconcelos Cruz, Luiz Eduardo da Rocha Soares e Raymundo Nonato Trindade Serra na Procuradoria da República no Paraná, em Curitiba.

A Odebrecht admitiu ter pagado propina para conseguir a concessão de grandes obras de infraestrutura no Peru, entre 2005 e 2014, assim como também ter apoiado as campanhas eleitorais de vários políticos no país, os quais são investigadas atualmente por lavagem de dinheiro e colusão, entre outros crimes.