EFEAlex Segura Lozano, Washington

A pressão exercida nesta quinta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que Israel proibisse a entrada de duas congressistas americanas que são muçulmanas - as democratas Ilhan Omar e Rashida Tlaib - teve efeito quase imediato.

Embora o governo israelense estivesse estudando a situação há alguns dias, a decisão final foi divulgada poucos minutos depois de Trump afirmar no Twitter que seria um sinal de "fraqueza" de Israel recebê-las.

"Israel mostraria uma grande fraqueza se permitisse a visita das representantes Omar e Tlaib. Odeiam Israel e todo o povo judeu, e não há nada que possa ser dito ou feito para que mudem de opinião", disse Trump na rede social.

Pouco depois dessa mensagem, o ministro do Interior de Israel, Arie Deri, anunciou a proibição da entrada das duas integrantes da Câmara dos Representantes dos EUA, uma medida que ele afirmou ter tomado em conjunto com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro de Assuntos Estratégicos, Gilad Erdan.

"A decisão foi tomada depois que o ministro Deri se deu conta de que (a viagem das congressistas) se tratava de uma atividade de boicote contra Israel e que ele deveria impedir que entrassem, de acordo com a Lei Israelense de Entrada", alegou em comunicado o Ministério do Interior, além de comentar que foi considerado que as congressistas do Partido Democrata usam sua visibilidade para "apoiar as organizações de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) que fazem um apelo a favor de boicotes a Israel".

Por sua vez, Netanyahu acusou Omar e Tlaib de "causar dano a Israel" e defendeu que o país "está aberto a receber críticas", menos quando se trabalha "para impor boicotes".

A chegada das duas congressistas americanas estava prevista para este domingo e era esperado que Tlaib ficasse mais alguns dias na Cisjordânia, onde vive sua avó.

Chuck Shumer, líder do Partido Democrata no Senado, classificou a decisão de Israel como "sinal de fraqueza".

"Só vai prejudicar a relação entre EUA e Israel e o apoio a Israel. Nenhuma sociedade democrática deveria temer um debate aberto. Muitos partidários de Israel ficarão profundamente decepcionados com esta decisão, que o governo israelense deveria reverter", apontou Schumer em comunicado.

Presidente da Câmara dos Representantes, a também democrata Nancy Pelosi lamentou a decisão.

"Como alguém que ama Israel, me entristece profundamente a notícia de que Israel tenha decidido evitar que membros do Congresso entrem no país", disse ela em comunicado.

O principal grupo de pressão pró-israelense nos EUA, o Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense (AIPAC), rechaçou a medida tomada pelo governo Netanyahu.

"Não estamos de acordo com o apoio das representantes Omar e Tlaib ao movimento BDS contra Israel e contra a paz (...) Também acreditamos que todos os membros do Congresso deveriam poder visitar e vivenciar em primeira mão nosso aliado democrático Israel", opinou a entidade no Twitter.

Apesar da polêmica, Trump manteve a posição e comemorou a decisão israelense.

"As representantes Omar e Tlaib são a cara do Partido Democrata, e elas ODEIAM Israel", escreveu o governante no Twitter.

Omar, nascida na Somália e representante por Minnesota, e Tlaib, filha de palestino e congressista por Michigan, questionaram Israel e cobraram que empresas, artistas e universidades boicotassem o país.

Além disso, Omar virou centro de um debate nacional depois de criticar a influência política do AIPAC sobre alguns congressistas americanos. Os comentários resultaram em uma resolução bipartidária da Câmara em março contra "o antissemitismo, a islamofobia, o racismo e outras formas de intolerância".

Esta não foi a primeira vez que Trump criticou Omar e Tlaib. Em julho, o presidente acusou ambas e outras duas congressistas democratas - Alexandria Ocasio-Cortez e Ayanna Pressley - de odiarem os EUA e Israel, e pediu para que voltassem "aos lugares de onde vieram", apesar de três delas terem nascido em território americano.