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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira que a saída do Irã do pacto nuclear assinado em 2015 não é a melhor solução, depois que o governo iraniano anunciou que pretende descumprir parcialmente as obrigações impostas no acordo.

"Francamente, não entendo que ao Irã seja conveniente abandonar esse acordo. Sempre defendemos a conservação desse tratado", disse o líder russo em entrevista coletiva concedida no balneário de Sochi, junto com o presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen.

Putin lamentou que o Plano de Integração Conjunta, nome oficial do acordo nuclear, esteja ruindo.

"Após a assinatura, o Irã era, e continua sendo, o país mais supervisionado e transparente do mundo nesse sentido. Eu mesmo me reuni com o presidente da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), que disse que o Irã cumpre com todas as obrigações", garantiu.

Putin, além disso, foi enfático ao dizer que o país que comanda não estará o tempo todo à disposição para intervir em problemas internacionais.

"A Rússia não é uma equipe de bombeiros, que salva todos o tempo todo, inclusive, aqueles que não dependem totalmente do país", afirmou.

"Agora, vou dizer algo não muito diplomático que pode ferir as sensibilidades de nossos amigos europeus: os americanos saíram; o acordo se destrói e os países europeus não podem fazer nada para salvá-lo e são incapazes de trabalhar com o Irã para compensar as perdas econômicas", afirmou.

Além disso, Putin ainda acusou os Estados Unidos de ter iniciado a ruptura do acordo, embora admita que o governo iraniano será acusado no futuro por tê-la provocado.

Ontem, o presidente da Rússia se reuniu com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, para tratar sobre o Irã. O representante do governo americano descartou estar planejando uma operação militar contra o país asiático.

Alexander Van der Bellen, por sua vez, admitiu que a Europa não deseja um aumento nas tensões entre americanos e iranianos.

"Se Washington seguir mantendo a pressão sobre o Irã, isso aumentará o risco de acontecer uma nova crise, igual a que houve no Iraque há alguns anos", disse o presidente da Áustria.

Há uma semana, o presidente iraniano, Hassan Rohani, anunciou que, devido às sanções dos Estados Unidos, o Irã não venderia o excedente de produção de urânio enriquecido e água pesada, que foram enviados a outros países sob o acordo nuclear.