EFESanto Domingo

Diferentes setores da República Dominicana pediram nesta quinta-feira ao Ministério Público que abra uma investigação sobre supostos pagamentos secretos da Odebrecht para adquirir concessão da termelétrica Punta Catalina, no sul do país.

De acordo com um relatório do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), revelado ontem, a Odebrecht pagou mais de US$ 39 milhões em propinas para obter a concessão das obras da termelétrica, valor que foi omitido pela empreiteira em suas delações.

A usina é apresentada como uma das principais obras do governo de Danilo Medina, e sua construção é responsabilidade de um consórcio liderado pela empreiteira brasileira.

A licitação da obra, com a qual se pretende resolver o déficit energético no país, esteve sob investigação, mas uma comissão nomeada por Medina determinou em 2017 que o processo foi feito "majoritariamente conforme à lei" e que seu preço era "razoável".

Em entrevista à imprensa, Carlos Pimentel, diretor-executivo da Participação Cidadã, divisão local da ONG Transparência Internacional, afirmou que após as revelações do ICIJ, "não há dúvidas de que ao redor da Punta Catalina há vínculos de funcionários e empresários com a Odebrecht para propinas e superfaturamento".

O movimento Bien Comúm exigiu a investigação penal imediata de Medina diante deste relatório e convocou a cúpula empresarial, os movimentos sociais e a oposição a expressarem uma reação "contundente" sobre esta nova revelação do caso Odebrecht.

Para o Bien Comúm, "o silêncio ou a resposta passiva seria ser cúmplice de um caso no qual o roubo do povo dominicano poderia superar os 60 bilhões de pesos dominicanos (R$ 4,5 bilhões)".

Políticos e advogados também pediram a abertura de uma investigação a respeito deste caso, que vem à tona quase uma semana depois de um juiz da Suprema Corte de Justiça do país enviar a um tribunal inferior seis políticos e empresários acusados de terem recebido os US$ 92 milhões que a empresa admitiu ter pago em propinas no país entre 2001 e 2014.

A Odebrecht chegou a um acordo com a Procuradoria Geral da República Dominicana pelo qual deverá pagar US$ 184 milhões em várias parcelas, o dobro do valor pago em propinas no país. EFE

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