EFEBuenos Aires

As restrições anunciadas pelo governo da Argentina para lidar com a segunda onda da pandemia do coronavírus, cuja principal medida é a proibição de circular na rua entre 0h e 6h (hora local), provocaram posições conflituosas nos principais territórios: a capital e a província de Buenos Aires.

Na província de Buenos Aires, governada pelo peronista e apoiador do presidente Alberto Fernández, Axel Kicillof, defendem a aplicação dessas medidas. Já na capital, sob a gestão do opositor Horacio Rodríguez Larreta, as restrições são consideradas excessivas, embora tenham afirmado que as respeitarão.

"Em relação à restrição à circulação, já expressamos que não concordamos porque está comprovado que circular ao ar livre e com máscara não gera contágio", disse Rodríguez Larreta, em entrevista coletiva hoje.

O governador, assim, defendeu a posição já adotada por sua coalizão (Juntos pela Mudança), relutante em aplicar restrições para impedir a segunda onda, embora Rodríguez Larreta tenha frisado que "as regras devem ser cumpridas".

"Agora, como qualquer regra, vamos respeitá-la de acordo com o espírito com que o governo nacional nos disse que esta medida visa evitar concentrações de pessoas e não daquelas que estão voltando para casa ou cumprem uma função essencial", acrescentou.

O governador Kicillof também apareceu hoje perante a imprensa, chamando a segunda onda de "tsunami" e defendendo a resolução do governo nacional.

"Vendo o que começou a acontecer na cidade e na velocidade que estava chegando, pensamos que um fechamento muito forte tinha que ser feito por um tempo limitado; acompanhamos essas medidas", disse.

O governador peronista destacou que o sistema de saúde da província "está mais uma vez em perigo com esta segunda onda, que é feroz", e apelou ao cumprimento das medidas à medida que avança a campanha de vacinação.

"Temos que cuidar melhor de nós mesmos, pois estamos vacinando rapidamente agora, aplicamos todas as vacinas que recebemos, não podemos descuidar de vocês, não podemos deixar o sistema de saúde transbordar", disse.

As novas restrições, que entrarão em vigor a partir de amanhã e vão até o próximo dia 30, incluem a proibição de circular pelas ruas durante a madrugada.

Além disso, nas áreas de maior risco epidemiológico e sanitário, as atividades sociais em residências particulares são suspensas; confraternizações em espaços públicos ao ar livre com mais de 20 pessoas, e a prática recreativa de qualquer esporte em recintos fechados com mais de dez pessoas.

Da mesma forma, a atividade de cassinos, bingos, discotecas e salões de festas está suspensa, enquanto os bares e restaurantes devem fechar às 23 horas.

Em Buenos Aires e sua periferia populosa, o transporte público ficará restrito a professores, alunos e trabalhadores essenciais, enquanto em todo o país as viagens de estudantes e grupos de turistas serão suspensas.

As infecções têm aumentado nos últimos dias e ontem um novo recorde foi registrado desde o início da pandemia com 22.039 novos casos confirmados em 24 horas.