EFEAstana

A nona rodada de negociações sobre o cessar-fogo na Síria foi encerrada nesta terça-feira em Astana sem nenhum avanço e em meio à polêmica decisão de realizar a próxima reunião em Sochi, na Rússia, o que levou a oposição armada do país árabe ao governo de Bashar al Assad a adiantar que se negará a participar.

A mudança do local de encontro para o balneário russo às margens do mar Negro foi, de fato, a única novidade apresentada no comunicado final da rodada, assinado por Rússia, Irã e Turquia, os três países fiadores do cessar das hostilidades no país árabe há um ano e meio.

"Não importa onde seja realizada a reunião de alto nível. Pode ser em Ancara, em outros países, em Genebra ou em São Petersburgo. O formato é o mesmo. Trata-se do formato e do processo de Astana", disse a respeito o chefe da delegação russa, Aleksandr Lavrentiev.

O fato de que a próxima rodada aconteça na Rússia "não significa que as seguintes não voltem a ocorrer em Astana", segundo o diplomata.

"Se (a Rússia) nos chamar para Sochi, não iremos. A oposição armada não irá a Sochi", frisou o chefe da missão da oposição síria, Ahmad Toma.

O opositor, presidente do chamado governo temporário da Síria, ressaltou que só aceita a capital cazaque como lugar para negociar com Damasco.

"Se os países fiadores querem ir para outro país, é problema deles, mas nós queremos que as negociações só continuem em Astana", concluiu.

Um dia depois da realização de reuniões bilaterais e trilaterais sem a participação da oposição, o encontro de hoje durou pouco mais de uma hora, após o qual se divulgou um comunicado de nove pontos que não contém acordo algum para promover o processo de paz na Síria.

O documento apenas reforçou lugares comuns como "a soberania, independência, unidade e integridade territoriais da Síria"; "a necessidade de aumentar os esforços para ajudar os sírios no restabelecimento da vida pacífica" e o compromisso com a luta contra os grupos terroristas que atuam no país árabe.

Diante do ceticismo sobre o futuro de todo o formato de negociações, Lavrentiev garantiu que o processo de Astana "está vivo" e "dá notáveis resultados positivos".

O tema central desta rodada era o avanço na troca de prisioneiros entre governo e oposição da Síria, mas, segundo o comunicado, os participantes do encontro só conseguiram "confirmar a necessidade de (fazer) esforços comuns para reforçar a confiança entre as partes em conflito". Foi decidido então realizar em junho, em Ancara, a próxima reunião do grupo de trabalho encarregado desta pauta.

"Nos alegramos que este tema continuará a ser debatido pelo grupo de trabalho em Ancara. É uma questão humanitária importante que afeta milhares de famílias sírias", disse ao final da reunião Staffan de Mistura, representante especial da ONU para a Síria.

Lavrentiev afirmou que "chegou a hora de dar uma nova dimensão ao processo de Astana, insistindo na solução de problemas humanitários e políticos".

"Esperamos que, no futuro, este grupo (para a troca de prisioneiros) dará um impulso a seu trabalho, e seremos testemunhas de novos acordos entre as partes", disse o diplomata.

Até agora, a principal conquista de Astana foi a criação de quatro zonas de distensão na Síria - nas províncias de Idlib, Homs, Ghouta e na fronteira com a Jordânia - territórios nos quais está proibida qualquer atividade militar, inclusive voos de aviões.

Em algumas dessas zonas, como em Ghouta Oriental e Idlib, confrontos armados continuaram a acontecer, apesar do acordo assinado entre os três países fiadores.