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O governo russo classificou nesta sexta-feira como "um novo golpe" nas relações com a Holanda o anúncio da denúncia que será apresentada ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos pelo "papel" da Rússia na derrubada do avião que realizava o voo MH17 e caiu no leste da Ucrânia, em 2014.

"Recebemos a decisão de Haia de ir ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos pela catástrofe do Boeing malaio como um novo golpe nas relações russo-holandesas", detalhou o Ministério das Relações Exteriores russo em comunicado.

Mais cedo, a Holanda anunciou que levará a Rússia ao tribunal sediado em Estrasburgo, na França, pelo "papel" do país na derrubada do avião da Malaysia Airlines, no dia 17 de julho de 2014, ocasionando a morte de 298 pessoas, a maioria holandesas.

Para Moscou, que sempre negou envolvimento com o ocorrido, o passo dado pela Holanda apenas "politizará o caso e dificultará a busca pela verdade".

"Desde o início, Haia tomou o caminho de incriminar unilateralmente a Rússia no acidente do MH17", disse o Ministério das Relações Exteriores russo.

De acordo com a porta-voz da pasta, Maria Zakhrova, o tribunal ainda não notificou a Rússia sobre a decisão holandesa.

O Ministério da Justiça da Rússia também rechaçou categoricamente a implicação do país na tragédia aérea ocorrida há seis anos em território "fora da jurisdição russa".

Segundo a pasta, antes de admitir o trâmite da denúncia, o tribunal europeu deve abordá-la com ambas as partes envolvidas, um processo que pode levar "vários anos".

"A Rússia defenderá consistentemente os seus interesses nos tribunais internacionais", disse o ministério.

Em 9 de março, o tribunal de alta segurança de Schiphol, em Amesterdã, abriu um processo contra quatro suspeitos - os russos Sergey Dubinsky, Oleg Pulatov e Igor Girkin, e o ucraniano Leonid Chartshenko - acusados de homicídio pelo suposto envolvimento no transporte do sistema de mísseis que disparou contra o avião.

Com a exceção de Pulatov, que deixou sua defesa a cargo de uma equipe de advogados holandeses, os outros três suspeitos estão sendo julgados em ausência e não reconhecem este processo judicial.

Moscou sempre negou o envolvimento na queda do avião e não apoia o julgamento iniciado pelo sistema jurídico holandês, nem o resultado das investigações.

O voo MH17, entre Amsterdã e Kuala Lumpur, foi abatido por um míssil terra-ar disparado de uma área controlada por milícias separatistas pró-russas. A equipe de investigação concluiu que se tratava de um míssil Buk de fabricação russa e que foi deslocado do território russo para o leste da Ucrânia dias antes da tragédia.