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A Rússia considera que o blecaute que afetou praticamente todo o território da Venezuela durante vários dias foi provocado por um ataque cibernético proveniente do exterior, declarou nesta sexta-feira a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova.

"Segundo dados do governo legítimo do país, liderado pelo presidente (Nicolás) Maduro, e também com base em informações de outras fontes confiáveis que confirmam esta informação, o setor eletroenergético venezuelano sofreu um ataque do exterior", afirmou a porta-voz em sua entrevista coletiva semanal.

A diplomata russa comentou que se tratou de um ataque "a distância contra o sistema de controle das principais estações de distribuição elétrica".

Zakharova especificou que se tratava de equipamento produzido em um país ocidental, concretamente no Canadá.

Maduro responsabilizou os Estados Unidos e a oposição pelo suposto ataque cibernético, enquanto os opositores o acusam de inaptidão e má gestão de recursos milionários destinados ao setor energético do país.

A porta-voz disse que a Rússia "avaliará com a maior atenção" uma solicitação oficial de parte do governo Maduro para que Moscou participe da investigação sobre o suposto "ciberataque" que teria provocado o apagão, segundo a versão de Caracas.

Maduro anunciou esta semana que pedirá ajuda à ONU e a seus aliados China, Cuba, Rússia e Irã para investigar a "sabotagem".

Zakharova afirmou que "essas ações prejudiciais contra alvos de infraestrutura, que têm relação direta com a vida de pessoas, são usadas com cada vez mais frequência como parte da chamada guerra híbrida".

"A falta de humanidade e o desrespeito às normas elementares da moral humana são traços comuns de todos aqueles que se colocam acima do direito internacional em relação aos habitantes (...) da Venezuela e de outros países", denunciou a porta-voz.

Segundo Zakharova, "em suas aspirações maníacas de derrubar o governo de um estado soberano, Washington não poupa recursos".

A porta-voz russa acusou mais uma vez os EUA de buscar apoio para uma intervenção militar na Venezuela, de propiciar a presença de grupos armados em países vizinhos, de comprar e fornecer armas para a oposição, e de manter contato com contrabandistas e traficantes de drogas para estabelecer passagens ilegais na fronteira.