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A Rússia lamentou nesta terça-feira a decisão de Alemanha, França e Reino, três dos cinco signatários do acordo nuclear de 2015 com o Irã, de acionar o mecanismo de resolução de litígios do pacto para pressionar o país a respeitar os limites impostos a seu programa atômico.

"A decisão dos participantes europeus do JPCOA (sigla em inglês para Plano Integral de Ação Conjunta) de ativar o mecanismo de resolução de litígios previsto no parágrafo 36 do acordo (...) gera uma grande preocupação", disse o Kremlin em comunicado divulgado pelo Ministério de Relações Exteriores.

Para a Rússia, não há fundamento que justifique a medida anunciada hoje pelos três países. O Kremlin acha que, em vez de solucionar o problema, o acionamento do mecanismo de resolução de litígios pode pôr em risco o futuro acordo nuclear com o Irã.

"Não descartamos que os passos irracionais dos três países europeus conduzirão a uma nova escalada em torno do JCPOA e tornarão impossível o retorno aos marcos estabelecidos no acordo nuclear, algo que eles supostamente pretendem com este passo", afirmou a Rússia em nota.

O governo russo ressaltou que os motivos que tornaram difícil o cumprimento do acordo são amplamente conhecidos e não relacionados com o Irã.

"Quando se concebeu esse mecanismo ninguém poderia supor que os Estados Unidos abandonariam unilateralmente o JCPOA. Lamentavelmente, apesar dos importantes esforços das partes desde a saída de Washington do acordo em maio de 2018, tornou-se impossível devolvê-lo à estabilidade inicial", disse a chancelaria russa.

A Rússia saiu em defesa do Irã ao afirmar que a decisão do país de deixar de cumprir os compromissos assumidos no JCPOA são uma resposta à violação do acordo por parte dos EUA, que restabeleceram as sanções econômicas contra Teerã depois de deixar o pacto.

O Kremlin destacou que o Irã continua sendo vigiado constantemente pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e cobrou dos países europeus que implementem medidas para driblar as sanções impostas pelos americanos ao governo iraniano.

O acordo nuclear limitou o programa nuclear do Irã, que em troca poderia seguir utilizando a energia atômica para fins pacíficos e veria o fim das sanções impostas contra o país.

No entanto, quando chegou ao poder, Donald Trump tirou os EUA do acordo assinado por seu sucessor, Barack Obama, e reativou todas as sanções anteriormente impostas ao Irã como parte de uma campanha de pressão para fazer o país negociar um "pacto melhor".