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A Rússia afirmou nesta segunda-feira que a violência na Bolívia que levou ontem à renúncia do presidente Evo Morales seguiu "um padrão de golpe de estado" e pediu que as forças políticas do país atuem com sensatez para encontrar uma solução constitucional para a crise.

"É de profunda preocupação que a disposição do governo (boliviano) em buscar soluções construtivas com base no diálogo tenha sido dominada pelo desenvolvimento dos acontecimentos que seguiram um padrão de golpe de Estado", disse o comunicado do Ministério das Relações Exteriores russo.

Moscou apelou para todas as forças políticas da Bolívia que atuem com "sabedoria e responsabilidade e encontrem uma solução constitucional para a crise em prol da paz, da recuperação das instituições e do cumprimento dos direitos de todos os cidadãos".

"Estamos confiantes de que essa abordagem responsável será compartilhada por todos os membros da comunidade mundial, vizinhos da Bolívia, países influentes de fora da região e organizações internacionais", afirmou a nota da Chancelaria russa.

Ontem, Morales anunciou sua renúncia, alegando ter sofrido um "golpe cívico" e que a polícia havia se retirado para o quartel nos últimos dias.

Ele reiterou suas acusações contra o ex-presidente Carlos Mesa e o opositor Luis Fernando Camacho, acusando os dois de instalarem um golpe de Estado para forçá-lo a deixar o poder.

A Bolívia está imersa em uma grave crise desde as eleições gerais realizadas no último dia 20 de outubro. Desde então, pelo menos três pessoas morreram e 421 ficaram feridas em confrontos entre seguidores e opositores de Morales, segundo dados da Defensoria do Povo da Bolívia. EFE

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