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O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, garantiu nesta sexta-feira que sente o mesmo sentimento de rechaço que a maioria dos cidadãos do país diante das condutas "não cívicas" do rei Juan Carlos I, pai do atual monarca, Felipe VI.

A declaração do chefe de governo aconteceu pouco depois da divulgação da notícia de que o rei emérito fez a segunda regularização fiscal por rendimentos não declarados à Agência Tributária espanhola, conforme publicou o jornal local "El País".

Em entrevista coletiva, Sánchez afirmou que sente "perturbado e desconfortável" por este tipo de informações referentes ao antigo chefe de Estado, ao mesmo tempo em que elogiou Felipe VI, a quem destacou "pela exemplaridade".

O rei Juan Carlos I apresentou uma declaração "sem requerimento prévio" no valor de 4,4 milhões de euros (R$ 29,3 milhões), para saldar a dívida tributária que tinha com a Fazenda, pelo dinheiro de que beneficiou com a fundação Zagatka, para o pagamento de voos privados, segundo afirmou o advogado do monarca Javier Sánchez-Junco, por meio de comunicado.

Hoje, Sánchez afirmou que, se o rei emérito "tiver cometido irresponsabilidades nas obrigações fiscais, é claro, elas devem ser reparadas".

"E com esta mesma firmeza, digo que a atual Casa Real marcou um antes e um depois na transparência e na boa utilização dos recursos públicos", garantiu o presidente do governo.

Além disso, Sánchez ainda lembrou que não está sendo julgada uma instituição, assim como a monarquia, mas sim o comportamento de uma pessoa.

Segundo o advogado de Juan Carlos I, a regularização efetuada diante das "autoridades tributárias competentes", já foi realizada e incluiu juros de mora e outros encargos.

A fundação Zagatka foi fundada em 2003, por Álvaro de Orleans-Bourbon, primo distante do rei emérito da Espanha, que custeou os gastos com voos privados de Juan Carlos I entre 2007 e 2018.

Esta foi a segunda declaração voluntária apresentada pela defesa do anterior chefe de Estado espanhol, que manteve o título de rei emérito, depois da que foi entregue em dezembro do ano passado, para quitar uma dívida com a Fazenda por um montante de 678.393 euros (R$ 4,5 milhões), referentes a juros e outros encargos.

TRÊS INVESTIGAÇÕES.

O rei emérito tem três investigações abertas contra ele na Espanha, uma relacionada a suposta lavagem de dinheiro, outra por uma conta aberta na Suíça atribuída a ele e a possível cobrança de propina por obras de um trem de alta velocidade na Arábia Saudita, e a última por uso de cartões ocultos que estavam em nome de terceiros.

Juan Carlos I, de 83 anos, está desde agosto do ano passado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, para onde se mudou em meio a repercussão pública de "certos acontecimentos passados", como alegou, e para facilitar o reinado do filho Felipe VI.