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A Coreia do Sul e os Estados Unidos decidiram cancelar as manobras militares conjuntas planejadas para o próximo mês de dezembro, com o objetivo de apoiar o diálogo com a Coreia do Nortesobre desnuclearização, conforme um comunicado divulgado neste domingo pelos dois países.

O surpreendente anúncio foi feito durante uma entrevista coletiva realizada durante a reunião de oficiais da Defesa sediada pela Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

"Tomamos essa decisão como um gesto de boa vontade em contribuir para um ambiente propício à diplomacia e a paz", disse o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, em comunicado divulgado pela agência sul-coreana "Yonhap".

"Esperamos que a República Popular Democrática da Coreia (nome oficial da Coreia do Norte) demonstre a mesma boa vontade", disse Esper, ao pedir para Pyongyang "voltar à mesa das negociações sem condições prévias ou dúvidas".

Seul e Washington tinham planejado realizar uma versão reduzida dos exercícios aéreos do Vigilant Ace no mês que vem, algo que desencadeou críticas da Coreia do Norte, apesar da escala das manobras ter sido reduzida.

Essas não são as primeiras manobras que os dois países modificam ou cancelam para favorecer o processo diplomático aberto com Pyongyang no ano passado.

Na última sexta-feira, o próprio Esper havia dito em Seul que os exercícios militares conjuntos poderiam se tornar mais flexíveis para ajudar no processo diplomático.

O anúncio de hoje tem como objetivo impulsionar o processo de desnuclearização, que está parado desde a fracassada cúpula realizada em Hanói (Vietnã), em fevereiro, onde os EUA consideraram insuficiente a oferta norte-coreana em relação ao desmantelamento de seus ativos nucleares. Com isso, o governo americano se recusou a suspender as sanções econômicas ao país asiático.

No mês passado, aconteceu uma reunião de trabalho em Estocolmo (Suécia), mas o encontro foi encerrado com os norte-coreanos acusando Washington de não oferecer nada de novo e de manter ativa sua "política hostil".

De acordo com especialistas, na ausência de progressos, a Coreia do Norte pode optar, a partir do Ano Novo, realizar novos testes de armas, especialmente mísseis de alcance intermediário, como estratégia para pressionar os Estados Unidos e seus aliados na região.