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O Sínodo da Igreja de Constantinopla reconheceu nesta quinta-feira a independência da Igreja Ortodoxa da Ucrânia do Patriarcado de Moscou.

Presidido pelo patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, o sínodo tomou a decisão de "garantir a Autocefalia à Igreja da Ucrânia", satisfazendo assim o pedido feito pelo presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko.

Para isso, Bartolomeu anulou o decreto que subordinava a igreja ucraniana à russa desde 1686, segundo um comunicado divulgado no site da igreja sediada em Istambul.

O patriarca também suspendeu o anátema que existia desde 1991 sobre Filaret, o líder da Igreja Ortodoxa Ucraniana, que foi excomungado por Moscou por autoproclamar uma igreja independente do Patriarcado russo após a dissolução da União Soviética.

Logo após o anúncio da decisão de hoje, Filaret afirmou que convocará um concílio para consumar a unificação de todos os cerca de 30 milhões de ortodoxos ucranianos sob uma só igreja com capital em Kiev.

Em meados de abril, Poroshenko propôs ao parlamento ucraniano a criação de uma igreja ortodoxa independente do Patriarcado de Moscou após debater este assunto em Istambul com Bartolomeu, o que irritou a Igreja Ortodoxa Russa (IOR).

Após a suspensão do anátema sobre Filaret, a IOR acusou Constantinopla de "tentar minar os alicerces da ordem canônica da Igreja Ortodoxa".

Moscou, que já havia suspendido as missas conjuntas e as menções em suas homilias a Bartolomeu, que é o líder simbólico dos ortodoxos no mundo, ameaçou romper relações com Constantinopla se a igreja reconhecesse a independência do Patriarcado de Kiev.

Os ortodoxos russos alegam que Bartolomeu é o líder dos ortodoxos, mas sem o mesmo peso do papa da Igreja Católica.

Atualmente na Ucrânia há três igrejas ortodoxas: a que era ligada a Moscou, majoritária, outra ligada ao Patriarcado de Kiev e uma terceira, que se tornou independente da Rússia em 1920 e que se autoproclamou Igreja Autocefálica Ortodoxa da Ucrânia.