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A Sala Penal Especial da Suprema Corte de Justiça do Peru ratificou nesta quarta-feira a nulidade do indulto outorgado ao ex-presidente Alberto Fujimori, que continuará na prisão para cumprir uma sentença de 25 anos.

A defesa do ex-mandatário tinha apresentado uma apelação contra a nulidade do indulto humanitário outorgado pelo ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski em 24 de dezembro de 2017, que havia deixado Fujimori em liberdade até o último mês de janeiro.

Fujimori, de 80 anos, foi condenado a 25 anos de prisão em 2009 pelos massacres cometidos pelo grupo militar encoberto Colina e pelo sequestro de um empresário e um jornalista em 1992.

No entanto, Kuczynski lhe outorgou um indulto, após uma aparente negociação política com Kenji Fujimori, filho do ex-presidente, que posteriormente foi cancelado por irregularidades na sua tramitação, como o fato de que não sofria de nenhuma doença grave ou terminal.

O advogado das vítimas dos massacres do grupo Colina, Carlos Rivera, declarou à emissora "RPP Noticias" que "a consequência jurídica concreta" da resolução é que Alberto Fujimori "retoma sua condição de condenado no que resta do cumprimento dos anos da sua pena".

Rivera lembrou que os principais argumentos para a anulação do indulto a Fujimori foram as "graves irregularidades na tramitação" e o fato de que "havia disposições do direito internacional" que tinham sido "violentadas".

Fujimori foi levado no último dia 23 de janeiro ao presídio de Barbadillo, onde terminará de cumprir os aproximadamente 13 anos restantes da sua pena, depois de ter ficado internado mais de 100 dias em uma clínica particular.

No dia de sua transferência à prisão, o ex-mandatário (1990-2000) teve tempo para escrever uma carta, de próprio punho, onde afirmava que o final da sua vida está perto, tal como compartilhou na sua conta do Twitter.

"Estou há quase 12 anos preso e hoje estão me levando de novo à prisão. Isso não é suficiente?", questionou Fujimori.

Por sua parte, o porta-voz da bancada fujimorista no Congresso, Carlos Tubino, lamentou a decisão judicial porque, em sua opinião, há "muito ódio" na intenção de fazer Fujimori voltar à prisão.

"O que se está fazendo é algo que nos deve preocupar como sociedade, porque estamos nos desumanizando", considerou Tubino.

Em outubro do ano passado, quando a Justiça peruana declarou a nulidade do indulto de Fujimori, outro juizado ordenou a prisão preventiva por 36 meses contra sua filha mais velha e ex-candidata presidencial, Keiko Fujimori, por suposta lavagem de dinheiro, dentro do escândalo de corrupção da Odebrecht no país.