EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou os novos protestos realizados pelo movimento dos "coletes amarelos" na França para criticar o Acordo de Paris contra a Mudança Climática, abandonado por ele no início do mandato.

"Como a França está indo com o Acordo de Paris? Depois de 18 semanas de distúrbios por parte dos manifestantes dos 'coletes amarelos', acho que não estão bem. Enquanto isso, os Estados Unidos chegaram ao topo de todas as listas sobre o meio ambiente", disse Trump no Twitter, fazendo uma ligação entre os protestos e o pacto.

Desde o início das manifestações dos "coletes amarelos" contra o presidente da França, Emmanuel Macron, no fim do ano passado, Trump vem tentando vincular os protestos a uma suposta insatisfação da população francesa com o Acordo de Paris.

As emissões de dióxido de carbono caíram 0,9% nos EUA em 2017 em relação ao ano anterior, mas a queda não tem relação com a decisão de Trump de deixar o acordo climático, já que a medida só se tornará efetiva em novembro de 2020, perto do fim de seu mandato.

Os "coletes amarelos" foram às ruas das principais cidades da França pelo 18º sábado consecutivo com o objetivo de mostrar que o movimento se mantém firme após quatro meses.

O Arco do Triunfo foi o epicentro dos confrontos hoje em Paris, que atingiram um nível de violência não registrado nas últimas semanas. A polícia precisou agir para conter os manifestantes com gás lacrimogêneo e canhões de água.

Na Champs-Élysées, lojas de luxo foram saqueadas ou incendiadas. O histórico restaurante Fouquet's foi totalmente destruído e um incêndio em uma agência bancária provocou o esvaziamento de um prédio inteiro, deixando 11 pessoas levemente feridas.

No total, 230 pessoas foram presas e 42 ficaram feridas ao longo dos protestos, incluindo os 11 do incêndio na agência bancária.

Trump tenta ligar os protestos ao Acordo de Paris porque os "coletes amarelos" começaram o movimento contra o governo após um aumento dos impostos sobre os combustíveis. Devido à pressão popular, Macron foi obrigado a rever a medida.

Mas, desde então, o movimento ampliou suas reivindicações. Elas se concentram agora no chamado Referendo de Iniciativa Cidadã, que pede, entre outras coisas, a dissolução da Assembleia Nacional.