EFEBruxelas

O comissário europeu de mercado interior, o francês Thierry Breton, anunciou nesta segunda-feira a criação de uma "Redação Europeia" que reunirá 16 agências de notícias de diferentes países, incluindo a Agência Efe, com o objetivo de melhorar a cobertura dos assuntos da União Europeia (UE) e fortalecer o setor.

Durante uma conferência no Fórum Europeu de Meios de Comunicação, realizada hoje em Bruxelas, Breton disse que este projeto "mostra o grande potencial de caminhar juntos como um ecossistema de mídia unido" e enfatizou a importância do setor de informação, já que, segundo ele, "é uma indústria que impacta em nossa democracia e em nosso Estado de direito".

Além da Efe, a futura "Redação Europeia" também contará com a agência espanhola Europa Press, em um projeto coordenado pela alemã DPA.

As demais agências participantes são AFP (França), Ansa (Itália), Agerpres (Romênia), APA (Áustria), ATA (Albânia), Belga (Bélgica), BTA (Bulgária), Fena (Bósnia e Herzegovina), Hina (Croácia), Mia (Macedônia do Norte), STA (Eslovênia), Tanjug (Sérvia) e TASR (Eslováquia).

"Trabalhando juntos através das fronteiras, os meios de comunicação são mais fortes. Temos visto os resultados incríveis das investigações transfronteiriças, como os recentes Pandora Papers", disse a vice-presidente de Valores e Transparência da Comissão Europeia, Vera Jourová, em comunicado.

Jourová, que encerrará hoje o Fórum Europeu de Meios de Comunicação, acrescentou que a Comissão Europeia "está aumentando seu apoio a este tipo de colaboração, com a 'Redação Europeia' hoje e uma série de novas parcerias jornalísticas até o final do ano", sem especificar quais.

Esta iniciativa criará um núcleo de correspondentes de notícias para trabalharem juntos em questões da UE e começará a funcionar em janeiro, informou a Comissão.

Breton incentivou os veículos de comunicação europeus, e não apenas as agências de notícias, a "operar além das fronteiras nacionais" e disse que o mercado comum da UE oferece a essas empresas "uma oportunidade fantástica de vender seus conteúdos".

O comissário também anunciou que o governo da UE insistirá na criação de uma "Lei de Liberdade de Mídia" para garantir "a integridade e independência do mercado de mídia europeu", bem como "limitar todos os tipos de interferência injustificada", incluindo a governamental.

"Esta é uma questão de certeza europeia. Tudo está se tornando cada vez mais geopolítico e a informação, longe de ser uma exceção, é um espaço vulnerável à interferência de todos os agentes. E vemos isso diariamente, especialmente durante a luta contra a pandemia", disse.

O comissário também afirmou que há uma necessidade de "maior igualdade" dentro da indústria da mídia e apontou como um problema "a concentração de capital em alguns grandes grupos de imprensa".

Breton pediu a criação de mecanismos antimonopólio porque, para ele, este tipo de estrutura pode levar a "problemas de independência", especialmente "quando os donos das empresas jornalísticas também estão presentes em outros setores".

Ele também pediu que seja evitada a "interferência política" e advertiu contra o uso de publicidade institucional por parte de alguns governos europeus: "Ela tem sido muitas vezes dirigida, como todos sabemos, a algumas poucas empresas que oferecem cobertura positiva", afirmou.

Breton incentivou todos os veículos de comunicação a "inovarem" para "alcançar a transição digital" e se adaptarem aos novos modelos de consumo de notícias, nos quais os formatos virtuais cada vez mais prevalecem.

Neste sentido, o comissário endossou a extensão dos 'paywalls' entre a imprensa europeia, o que restringe cada vez mais seu conteúdo para aqueles usuários que não pagam uma assinatura. EFE