EFEBruxelas

A União Europeia (UE) manifestou neste domingo satisfação com a decisão do presidente da Bolívia, Evo Morales, de repetir as eleiçõs gerais no país, após as acusações de fraude no pleito de 20 de outubro e a onda de protestos ocorrida nas últimas semanas.

"Um retorno à estabilidade na Bolívia requer um processo eleitoral novo e oportuno que seja crível e que reflita fielmente a vontade do povo. Deveria ser designado um novo tribunal eleitoral que ofereça garantias de eleições transparentes", declarou em comunicado a alta representante da UE para Assuntos Exteriores, Federica Mogherini.

"Pedimos a todas as partes, em especial às autoridades, para que assumam suas responsabilidades democráticas e tomem as decisões apropriadas que permitirão uma rápida reconciliação e evitem mais violência", acrescentou a política italiana.

A Bolívia vive uma grave crise desde a proclamação de Morales como presidente do país para um quarto mandato consecutivo em primeiro turno no dia 20 de outubro. A oposição e movimentos cívicos denunciam que o atual presidente ganhou por causa de uma fraude eleitoral.

Neste domingo, a Organização dos Estados Americanos (OEA) recomendou a repetição do pleito, após uma auditoria que constatou irregularidades, e Morales anunciou que aseleições voltarão a ser realizadas, desta vez com um Tribunal Supremo Eleitoral com novos membros.

Mogherini ressaltu que o relatório da OEA "confirmou várias deficiências que põem em questão a integridade dos resultados anunciados" no primeiro turno.

"Como indicado nas conclusões do relatório e como assinalaram anteriormente a OEA e a União Europeia, novas eleições com uma autoridade eleitoral renovada e designada de forma independente são necessárias para restaurar a confiança e a credibilidade no sistema democrático boliviano", reiterou a chefe da diplomacia da UE.

A alta representante afirmou ainda que o último pleito gerou "dúvidas legítimas sobre sua transparência e credibilidade, o que causou distúrbios civis e preocupação internacional".

A política italiana também lembrou que, durante os últimos anos, a UE apoiou "de forma consistente" a Bolívia, incluindo "o fortalecimento das instituições democráticas e do estado de direito".