EFEWashington

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, visitou nesta sexta-feira um centro de detenção de imigrantes no Texas, perto da fronteira com o México, reconheceu que é difícil ver famílias retidas no local, mas defendeu a qualidade das instalações, muito criticadas por opositores e organizações de direitos humanos.

Pence esteve no centro de detenção de Donna, na cidade de McAllen, um acampamento improvisado com tendas brancas no interior do Texas, após receber do presidente do país, Donald Trump, a missão de levar jornalistas ao local para mostrar as boas condições de acolhimento dos imigrantes.

"O presidente Trump queria que as câmeras estivessem aqui para que os senhores pudessem ver, em primeira mão, como as famílias estão sendo tratadas", afirmou o vice-presidente. "É muito duro ver famílias nesta crise", completou Pence.

A viagem foi organizada depois de a imprensa americana revelar que vários imigrantes estavam sendo mantidos em condições subumanas nos centros de detenção montados pelo governo.

Um relatório do Inspetor Geral do Departamento de Segurança Nacional (DHS) alertou que há superlotação e risco para a saúde dos imigrantes. Além disso, advogados denunciaram que crianças estavam sendo mantidas em condições insalubres, sem itens básicos de higiene.

Pence interagiu com alguns dos imigrantes detidos, entre eles várias crianças e duas mulheres, uma da Venezuela e outra de El Salvador.

Com a ajuda de um tradutor, o vice-presidente perguntou de onde eles eram e se estavam sendo bem cuidados. Todos responderam que sim, e Pence encerrou o diálogo desejando que eles fossem abençoados por Deus.

Fazia frio no acampamento, segundo jornalistas que acompanhavam o vice-presidente. Pence conversou com um grupo de crianças que assistia a desenhos animados em uma televisão. Quando perguntou se todos tinham lugar para tomar banho, duas delas responderam negativamente com a cabeça.

A situação dos adultos, porém, era bem mais complicada. O repórter John Dawsey, do "The Washington Post", um dos convidados a visitar o local junto com Pence, disse que o vice-presidente viu 384 homens mantidos dentro de uma área cercada, sem colchões ou travesseiros. Alguns que conseguiram encontrar espaço para se deitar estavam com as costas diretamente no concreto.

O local, segundo Dawsey, tinha um cheiro horrível, e os agentes que faziam a segurança da área usavam máscaras.

Os imigrantes disseram que não tomavam banho há semanas, que queriam comida e escovas de dentes. A Agência de Proteção Alfandegária e Fronteiras dos EUA (CBP), responsável pelo local, respondeu que eles são alimentados regularmente, podem escovar os dentes diariamente e recentemente tiveram acesso a um chuveiro, instalado em um trailer do lado de fora do centro. Muitos alegavam que não tomavam banho há mais de dez dias.

O centro de Donna tem capacidade para 1.000 imigrantes e é um dos menos problemáticos do Texas por ser relativamente novo. Hoje, cerca de 800 pessoas eram mantidas no local.

"Ouvir crianças pequenas dizer que caminharam durante dois ou três meses para chegar aqui rompe o coração de qualquer americano", afirmou Pence ao sair do centro.

Mas, apesar do que viu, Pence disse que a solução é endurecer as leis migratórias para impedir que redes de tráficos de pessoas se aproveitem dos migrantes e acusou os democratas de exagerar nas críticas aos problemas nos centros de detenção.

"Todas as famílias com que conversei me disseram que estão sendo cuidadas", ressaltou Pence, que era acompanhado de vários senadores republicanos.

Os democratas foram convidados, mas se recusaram a viajar com o vice-presidente.