EFELima

A vice-presidente do Peru, Dina Boluarte, afirmou neste domingo que "não tem pé nem cabeça" a sua inclusão na investigação fiscal por suposta lavagem de dinheiro no financiamento das campanhas eleitorais dos integrantes do partido Peru Livre.

Boluarte, que também é ministra do Desenvolvimento e Inclusão Social, foi acusada de ter aberto uma conta bancária em seu nome para recolher doações que ajudaram o líder do partido, Vladimir Cerrón, a pagar a indenização à qual foi condenado por corrupção.

A vice-presidente recordou que já tinha prestado depoimento sobre este assunto ao Ministério Público e disse que não tinha nenhum problema em ser interrogada quantas vezes fossem necessárias.

"À medida que a investigação avança, a procuradoria terá de nos retirar do processo porque não tem pé nem cabeça. Excluo a possibilidade de perseguição política. Que seja investigado e eu responderei quantas vezes forem necessárias perante o Ministério Público", disse Boluarte durante uma visita à região de Ica.

A vice-presidente afirmou que tanto ela como o vice-ministro de Governança Territorial da Presidência do Conselho de Ministros (PCM), Braulio Grajeda, com quem compartilhava a propriedade da conta bancária, são "inocentes".

Boluarte também disse acreditar que a sua acusação não está em consonância com uma colaboração com a oposição para promover um impeachment presidencial e retirar tanto o atual presidente do Peru, Pedro Castillo, como ela do poder.

Reiterou também que a conta bancária era totalmente transparente e que não foram cometidas ilegalidades na sua abertura a pedido do secretário-geral do partido.

De acordo com o depoimento de um colaborador efetivo do Ministério Público (em delação premiada), esta conta bancária teria recebido dinheiro de propina recolhido pela Direção de Transportes e Comunicações do governo regional de Junín, ocupada pelo partido marxista Peru Livre.

A administração encarregada do Peru Livre na região central de Junín também supostamente forçou os seus trabalhadores temporários a contribuírem com 100 sóis (cerca de R$ 140) por mês para a conta aberta por Boluarte e Grajeda sob ameaça de não renovar os contratos.

Dessa conta, 15.709 sóis (cerca de R$ 22,6 mil) foram transferidos para a conta pessoal de Cerrón, uma que representa uma pequena parte dos 850 mil sóis (cerca de R$ 1,2 milhão) aos quais o líder do Peru Livre foi condenado por delito de negociação incompatível quando era governador regional de Junín.

Foi esta condenação, que inclui uma pena de prisão suspensa de quatro anos, que deixou Cerrón fora das eleições presidenciais. No seu lugar, concorreu o professor e líder sindical peruano Pedro Castillo, que se tornou presidente do Peru ao vencer as eleições. EFE