EFEHo Chi Minh (Vietnã)

O Vietnã, em menos de uma semana, deixou a calmaria de lado por ter superado a pandemia da Covid-19 para agora experimentar sua pior onda, com dezenas de infecções locais e confirmar nesta sexta-feira a primeira morte ocorrida no país.

Conforme relatado pelo comitê especial para a gestão do vírus, a primeira vítima da Covid-19 no Vietnã é um homem de 70 anos, morador da cidade turística de Hoi An, perto de Danang, epicentro dessa nova onda.

Sofrendo com insuficiência renal grave, problemas cardíacos e pneumonia, ele foi transferido ontem para uma clínica de Hue, após estar internado desde o último dia 9 em um hospital de Danang, sem ter sido testado para o coronavírus até esta semana.

Na semana passada, os vietnamitas estavam se preparando para celebrar o 100º dia sem infecção comunitária, um recorde que foi alcançado pelo anúncio surpreendente no último sábado de um contágio local em Danang, um homem de 57 anos que permanece em estado crítico.

Desde então, o país registrou um total de 93 infecções comunitárias, com Danang sendo o principal foco, com 79 casos, dois na capital, Hanói, e outros dois em Ho Chi Minh (antiga Saigon), a cidade mais populosa do país.

Somente hoje, 45 positivos foram registrados em Danang, o número mais alto em um único dia desde o início da epidemia, e o Ministério da Saúde foi forçado a redobrar esforços e enviar à cidade uma equipe especial de médicos especialistas e mil profissionais da saúde.

Isolada do resto do país, Danang vive seu mais rigoroso confinamento desde o início da pandemia, com ruas vazias e centenas de empresas fechadas, enquanto nas duas grandes cidades do país, Hanói e Ho Chi Minh, as primeiras medidas estão sendo tomadas para prevenir surtos.

As autoridades dessas cidades restabeleceram o uso da máscara, bloquearam e desinfetaram ruas onde há suspeita de infecção, fecharam bares e outros locais de entretenimento e publicaram uma lista de locais onde os infectados estavam antes serem internados em hospitais.

Para alguns especialistas, o retorno do vírus é o resultado de um relaxamento excessivo entre a população em geral, que adotou plena normalidade com centros turísticos lotados, e também entre autoridades e profissionais de saúde, confiantes de que o vírus havia sido banido do país para sempre.