EFETóquio

A esposa do ex-presidente da Nissan Motor, o franco-brasileiro Carlos Ghosn, enviou uma queixa à ONG Human Rights Watch pelo tratamento que seu marido recebe da Justiça japonesa, que qualificou como "sistema de reféns".

Carole Ghosn enviou uma carta no final de dezembro à ONG de defesa dos direitos humanos com a intenção de expor as práticas abusivas que, em sua opinião, são permitidas pelo sistema judicial japonês, segundo confirmou hoje seu porta-voz à agência de notícias "Kyodo".

"Sob o 'sistema de reféns' judicial japonês, as detenções prolongadas para extrair confissões são uma das principais táticas de investigação da promotoria", afirma a carta.

A carta acrescenta que no Japão os suspeitos de cometer algum crime são "interrogados repetidamente sem a presença dos seus advogados, contam com um limitado acesso à assessoria legal e não têm direito a solicitar liberdade pagando uma fiança" até que comecem a ser processados.

"O tratamento ao meu marido é um caso digno de estudo sobre a realidade deste sistema draconiano", destaca a carta de Carole Ghosn.

O ex-presidente de Nissan, de 64 anos, permanece detido em Tóquio desde 19 de novembro do ano passado devido às suspeitas de que cometeu irregularidades relacionadas com a declaração do seu salário e com a gestão dos seus bens enquanto estava à frente da montadora.

A promotoria lhe acusou formalmente de violar a confiança da Nissan e de não declarar parte de suas receitas pactuadas com a companhia durante oito anos, em quantias que chegaram, segundo as autoridades japonesas, a 9 bilhões de ienes (US$ 83 milhões).

Os advogados de Ghosn solicitaram na semana passada sua liberdade sob fiança, mas reconheceram que é pouco provável que o ex-diretor da Nissan saia da prisão até que comece o processo contra ele, algo que, devido à complexidade do caso, pode levar pelo menos seis meses.