EFELa Paz

Um francês cego cruzará a pé e sozinho 140 quilômetros do Salar de Uyuni, que fica na Bolívia e é o maior deserto de sal do mundo, graças a uma campanha solidária para mostrar que "os sonhos não têm barreiras".

Alban Tessier, professor nascido em Saint-Sébastien-sur-Loire, um pequeno povoado do distrito de Nantes, começará na próxima terça-feira uma aventura de sete dias na qual terá o apoio de uma médica e um funcionário de uma agência de viagens.

"Haverá o apoio de Silvie, médica francesa que veio para apoiar-lhe, junto a Roger, da agência de viagem Gaston Sacaze, que estarão sempre a uma hora dele para poder intervir em qualquer momento, mas ele vai estar sozinho", declarou a tradutora de Tessier em entrevista coletiva em La Paz.

O francês, de 41 anos, sofre desde os 16 de uma doença degenerativa que o está fazendo perder a visão de maneira progressiva.

Tessier não domina ainda o espanhol, mas sorriu ao lembrar da amiga que lhe mostrou há 15 anos fotos do salar e da Bolívia, motivo pelo qual decidiu atravessar o deserto e tentar esta façanha.

"Esta ideia faz parte de uma associação que quer sensibilizar sobre a incapacidade visual e a cegueira", destacou sua tradutora.

Durante uma semana, Tessier percorrerá a distância entre Llica, no oeste do salar, até Playa Blanca, o icônico local das bandeiras internacionais no deserto de sal.

Neste período carregará suas provisões e armará sua própria barraca, já que só receberá ajuda se for imprescindível.

Para realizar este projeto o francês utilizou parte das suas economias e fez uma campanha na internet para arrecadar fundos através da plataforma Ulule.

Além disso, a prefeitura da sua cidade contribuiu com 3.000 euros para poder realizar a caminhada, motivo pelo que o professor se comprometeu a dar palestras nos colégios para compartilhar sua experiência.

Por enquanto Tessier está se aclimatando em La Paz para a mudança de altitude e a falta de oxigênio, mas não pretende fazer outras excursões além do salar.

O Salar de Uyuni, uma das maiores atrações turísticas da Bolívia, surgiu como resultado de transformações entre diversos lagos pré-históricos.

Hoje esse deserto de sal ocupa uma extensão próxima a 10.000 quilômetros quadrados na região andina de Potosi, o que lhe transforma no maior do mundo, além de ser o mais alto, por estar 3.600 metros acima do nível do mar.