EFETel Aviv

Em julho de 2006, nem israelenses nem libaneses pensavam que poderia haver uma guerra, mas se equivocaram, e este conflito, cujo 12º aniversário é lembrado nesta quinta-feira, "modificou o tabuleiro geopolítico da região", avaliou para a Agência Efe Uzi Rabi, diretor do Centro Moshé Dayan para estudos do Oriente Médio e da África da Universidade de Tel Aviv.

A opinião geral em julho de 2006 era que o Hezbollah, a milícia xiita apoiada pelo Irã e dominante no Líbano, não faria nenhum movimento bélico contra Israel antes da temporada de turismo, que atrai mais de dois milhões de visitantes por ano ao território libanês.

No entanto, um ataque da organização armada liderada por Hassan Nasrallah levou a uma guerra que durou 34 dias.

"A Segunda Guerra do Líbano abriu um novo capítulo na história da região", afirmou Rabi.

"Israel não conquistou nada, só bateu duro no Hezbollah e, no entanto, a guerra foi na realidade contra o Irã. A mudança no mapa geopolítico é que os países árabes da região apoiaram Israel", indicou o diretor do Centro Moshé Dayan.

Na manhã de 12 de julho de 2006, o Hezbollah disparou projéteis Katyusha contra Israel como tática dissuasória para atacar dois veículos armados que patrulhavam do lado israelense da fronteira.

A emboscada acabou com três soldados mortos e dois sequestrados. Outros cinco morreram em uma tentativa de resgate fracassada e o primeiro-ministro israelense da época, Ehud Olmert, considerou a ação da organização xiita "um ato guerra", segundo informou o site de notícias "Ynet" em 12 de julho de 2006.

Em troca dos militares sequestrados, dos quais não se sabia se estavam vivos ou não, o Hezbollah exigiu a libertação de prisioneiros libaneses, mas Olmert se negou a fazê-lo e respondeu com ataques aéreos e de artilharia, além de uma invasão terrestre e do bloqueio aéreo e naval, enquanto a organização xiita lançava mais projéteis e se envolvia em uma guerra de guerrilha contra o exército israelense.

A estimativa é que no conflito morreram cerca de 1.200 libaneses e 165 israelenses, segundo escreveram Amos Harel e Avi Issacharoff em seu livro "34 Dias" (2009).

"Recebi o aviso para me alistar em uma pizzaria", lembrou Ariel, de 42 anos, soldado da reserva da infantaria naquela época. "Li a mensagem e meu coração deu uma reviravolta, pois temia-se que os mísseis de Hezbollah chegassem a Tel Aviv".

"Uma vez lá dentro, entre o 'boom' e o fogo, comecei a dizer para mim mesmo de forma recorrente: 'por favor, que não tenhamos que fazer isto nunca mais'. Me parecia algo sem sentido, não podíamos deter os projéteis do Hezbollah", contou o ex-soldado e ilustrador.

"O sucesso das guerras é medido por seu impacto psicológico", disse à Efe Eyal Zisser, professor de História Contemporânea do Oriente Médio na Universidade de Tel Aviv, "e é preciso interrompê-las no momento em que tenham mais sinais de vitória".

Essa mensagem foi compreendida por israelenses e libaneses - na cidade de Dahiya, bastião da milícia xiita, enormes cartazes diziam "Vitória de Allah" - quando ambos aceitaram o cessar-fogo proposto pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em 11 de agosto.

A resolução pedia o desarmamento do Hezbollah, a retirada do exército israelense do Líbano, o desdobramento das forças armadas libanesas, e mais tropas das Forças Interinas das Nações Unidas no Líbano (Unifil, na sigla em inglês) na fronteira.

"Porém, olhando em retrospectiva, as vitórias são relativas", indicou Rabi.

A Segunda Guerra do Líbano é considerada em Israel um fracasso, militar e político. O alto escalão militar foi duramente criticado pela aparente falta de preparação dos soldados e sua incapacidade para responder aos projéteis que choveram sobre o norte do país durante um mês.

Poucos dias antes do cessar-fogo, o escritor David Grossman exigiu ao governo israelense que aceitasse a proposta do primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, para acabar com o conflito: "É a vitória que Israel queria", escreveu.

No dia seguinte da assinatura, o filho de Grossman, Uri, morreu com um tiro no pescoço, uma das últimas mortes daquela guerra.

Agora, em 2018, quando a tensão entre Israel e Irã aumenta, o analista Avi Issacharoff não percebe um paralelismo com julho de 2006: "Enquanto as pessoas do Hezbollah estiverem lutando e morrendo na guerra na Síria, é difícil imaginar Nasrallah sendo arrastado para outra aventura temerária contra Israel".

Maya Siminovich.