EFEBogotá

Um preocupante percentual de 67% da população é incapaz de distinguir notícias falsas de informações verídicas, segundo afirmou na última quinta-feira o editor do projeto Comprova, o jornalista brasileiro Sergio Lüdtke, com base nos dados coletados nas últimas eleições presidenciais.

Na conferência inaugural da Conferência Latino-Americana de Jornalismo de Investigação (Colpin), organizada pelo Instituto Imprensa e Sociedade (IPYS) na Universidade Javeriana de Bogotá, Lüdtke destaocu que a desinformação "se move em ondas" e seu objetivo é "gerar descontentamento público".

"No Brasil tínhamos grande quantidade de desinformação pública nas redes, enquanto as notícias reais só podiam ser lidas nos jornais e em seus sites", comentou.

Justamente para combater as notícias falsas, um consórcio de 24 meios de comunicação formou a plataforma Comprova, que chegou a analisar até 67.000 cadeias de Whatsapp que circularam nas 12 semanas prévias às eleições brasileiras.

"Criamos uma estrutura narrativa didática, os meios de comunicação aliados reproduziam a informação e os veículos que não faziam parte da coalizão podiam republicar o conteúdo", explicou Lüdtke na conferência inaugural.

Segundo o jornalista, a campanha presidencial brasileira esteve marcada "por posições morais e não políticas" que encontraram em Jair Bolsonaro uma via para canalizar seu descontentamento após a cassação da presidente Dilma Rousseff.

A conferência será realizada até o próximo domingo e ao longo desses três dias acontecerão oficinas jornalísticas e palestras sobre a crise venezuelana, a liberdade de expressão e a impunidade de crimes contra jornalistas, entre outros.