EFEGenebra

Cerca de 62 mil pessoas deixaram a Nicarágua no último ano por causa da crise política e social que atinge o país e 55 mil delas pediram refúgio na Costa Rica, informou nesta terça-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

"Neste fluxo de refugiados, muitos deles decidiram atravessar irregularmente a fronteira para evitar serem detectados, frequentemente caminhando durante horas através de caminhos complicados. Inicialmente eram adultos, mas agora também estão fugindo famílias inteiras", destacou em coletiva de imprensa a porta-voz da agência, Liz Throssell, ao anunciar os números.

O organismo elogiou os esforços da Costa Rica na recepção destes refugiados e em facilitar os pedidos de asilo. Além disso, informou que irá apoiar os trabalhos para reduzir os tempos de processamento destas solicitações.

Segundo as autoridades migratórias costarriquenhas, 29,5 mil nicaraguenses já abriram solicitações de asilo e outros 26 mil aguardam a formalização de seus pedidos.

Entre os refugiados, destacou a Acnur, há estudantes, ex-funcionários públicos, políticos opositores, jornalistas, médicos, ativistas de direitos humanos e camponeses, muitos deles necessitados de assistência médica, apoiao psicológico e auxílio alimentar e de moradia.

"Sem uma solução política da crise na Nicarágua, as pessoas continuarão indo embora", afirmou a porta-voz.

Segundo ela, o Acnur e outras agências das Nações Unidas estão traçando um plano de resposta humanitária para apoiar o governo da Costa Rica no atendimento das necessidades imediatas dos solicitantes de asilo, assim como das comunidades que os acolhem.

De acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a crise na Nicarágua provocou 325 mortes, mas ONGs locais apontam que 568 pessoas morreram, enquanto o Executivo reconhece 199 vítimas mortais.