EFECaracas

As forças de segurança venezuelanas mantiveram bloqueado o acesso ao escritório do líder opositor Juan Guaidó nesta quarta-feira, um dia após entrarem no prédio e a oposição denunciar a invasão, fato negado pelo governo durante a madrugada.

A Agência Efe constatou que dois agentes com o rosto coberto impediram o acesso ao escritório de Guaidó localizado na torre Zurich, no setor de Chacao, uma área nobre no leste de Caracas.

ACESSO FECHADO À IMPRENSA.

Ambos impediram o acesso dos jornalistas à área, então é impossível saber o estado do interior do escritório do Guaidó ou se foi invadido, como denunciou a oposição.

"É um procedimento totalmente irregular", disse Humberto Prado, o comissário de direitos humanos nomeado por Guaidó, que advertiu que a lei obriga a apresentação de uma ordem de visita domiciliar e a presença de um promotor e um juiz.

"Eles não apresentaram absolutamente nada e ainda não apresentam nada", disse antes de acrescentar que não se sabe que material ou equipamento foi levado pelos policiais durante a operação.

Prado explicou que em uma reunião com o chefe de segurança do edifício foi confirmado que dois funcionários do Serviço Nacional de Inteligência Bolivariana (Sebin) continuam no local, e que as pessoas foram informadas de que "não deixarão ninguém entrar nessas instalações em nenhum momento".

Na tarde de terça-feira, um grupo de cerca de 40 policiais com identificações do Sebin e das Forças Especiais da Polícia Nacional, assim como uma unidade especial anticorrupção, muitos deles com o rosto coberto, iniciaram uma operação na torre Zurich.

O escritório de Guaidó emitiu uma declaração sobre o caso, no qual também denuncia a operação como um "assalto ilegal às instalações".

GOVERNO NEGA INVASÃO.

O governo venezuelano negou na manhã desta quarta-feira que as autoridades tenham invadido os escritórios do líder da oposição e atribuiu a operação policial a uma investigação de corrupção contra dois irmãos empresários que têm escritórios no mesmo prédio que o político.

"Esta ação na torre Zurich faz parte de uma investigação de legitimação de capital das empresas Corporación Noinual e Corporacion Juma 2, de propriedade dos irmãos Volante Zuloaga", escreveu no Twitter o vice-presidente e ministro das Comunicações, Jorge Rodríguez, pouco depois da meia-noite.

No entanto, Rodríguez assegurou que a operação só foi dirigida contra os irmãos Volante Zuloaga por estar "relacionada com o roubo de terrenos adjacentes" a um hotel na capital venezuelana, cujos terrenos mudaram nos registros de uso hoteleiro para uso residencial.

"Naquela torre Zurich há escritórios de Guaidó. Os funcionários do congressista partiram para cima, gritando sobre uma ação contra eles que nunca aconteceu. Consciência pesada, cumplicidade com Volante Zuloaga? A investigação dirá", afirmou.