EFEBerlim

A Alemanha declarou nesta quarta-feira persona no grata dois diplomatas da Rússia, após o assassinato, em agosto, de um cidadão georgiano-checheno em Berlim, diante da suspeita de que o crime possa ter sido ordenado por Moscou ou pelo governo da Chechênia.

O anúncio foi feito pelo Ministério das Relações Exteriores alemão, que justificou a medida pelo artigo 9 da Convenção de Viena sobre relações diplomáticas, segundo comunicado emitido hoje.

"O governo reage ao fato de as autoridades russas, apesar de repetidas solicitações expressas e em alto escalão, não contribuíram de maneira suficiente para o esclarecimento do assassinato do dia 23 de agosto, no parque Tiergarten de Berlim", diz o texto.

O secretário de Estado da Alemanha, Andreas Michaelis, fez pedido oficial e pessoalmente no dia 20 de novembro ao embaixador da Rússia no país, segundo explicou o comunicado.

"Mesmo assim, a parte russa administrou, como nos meses anteriores, de forma protelatória, o pedido do governo para colaborar no esclarecimento", diz o texto.

Para a Alemanha, a colaboração da Rússia segue sendo "imprescindível" e se tornou ainda mais importante, porque o promotor federal que assumiu o caso viu indícios reais e suficientes para dizer que o assassinato foi ordenado por autoridades russas ou da república autônoma da Chechênia.

As investigações apontam até o momento que o georgiano-checheno Zelimjan Jangoshvili, de 40 anos, também conhecido como Tornike K., teria sido assassinado por um homem russo, identificado Vadim Sokolov, inicialmente, embora o portal investigativo "The Bellingcat" apontou que se trata Vladimir Krasikov.

O suspeito foi detido em 23 de agosto, pouco depois do crime, executado com um tiro na cabeça da vítima, que lutou na Guerra da Chechênia, em pleno parque Tiergarten, bem no centro de Berlim.