EFEBerlim

O governo da Alemanha pediu nesta segunda-feira à Itália que esclareça o mais rápido possível as acusações contra a capitã do navio humanitário Sea Watch 3, a alemã Carola Rackete, e se mostrou convencido de que não há outra decisão a ser tomada além da libertação da ativista.

"Do nosso ponto de vista, após o devido procedimento legal, só é possível a libertação de Carola Rackete. Isso é o que voltarei a deixar claro à Itália", declarou no Twitter o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas.

Maas acrescentou que em nível europeu é preciso dar fim de uma vez à disputa em torno da repartição de refugiados, que classificou de "indigna".

Carola será interrogada hoje à tarde em um tribunal de Agrigento, na Sicília, após ter sido detida na madrugada de sábado por atracar sem autorização no porto da pequena ilha italiana de Lampedusa com 40 migrantes que tinha resgatado.

A capitã é investigada por supostamente ter desobedecido navios oficiais italianos, por resistência a estes e por entrar sem autorização no mar territorial da Itália, crimes passíveis de penas de até dez anos de prisão.

Em entrevista coletiva, a porta-voz adjunta do governo alemão, Martina Fietz, disse que Berlim observa com atenção toda a situação e que, se as autoridades italianas têm acusações concretas contra a capitã do Sea Watch 3, estas "devem ser esclarecidas pela via legal e o mais rápido possível".

Martina reiterou que o governo alemão é contra qualquer tipo de criminalização no que diz respeito às pessoas que participam de atividades de resgate no mar e afirmou que, neste caso específico, a Alemanha está disposta mais uma vez a receber um determinado número de imigrantes resgatados pelo Sea Watch 3.

Já a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Adebahr, disse que o objetivo da Alemanha é conseguir "ou uma solução estável, ou uma solução europeia" e acrescentou que as conversas não estão sendo fáceis.

Por outro lado, Martina se referiu à campanha de arrecadação de fundos para a capitã do Sea Watch 3, que já conseguiu mais de 1 milhão de euros na Alemanha e na Itália, como "uma valiosa contribuição da sociedade civil".

Além disso, ressaltou que "o compromisso humanitário no mar merece respeito", mas ao mesmo tempo advertiu que estas atividades devem ocorrer de acordo com a legislação vigente.