EFEHong Kong/Pequim

Hong Kong entra nesta sexta-feira em seu 11° fim de semana consecutivo de protestos em um ambiente de tensão, já que a semana foi marcada pelo movimentos de tropas chinesas na fronteira com a cidade autônoma e por centenas de voos cancelados no aeroporto.

Até a noite de domingo (local), há pelo menos cinco manifestações convocadas, apenas uma em apoio a Pequim.

Os enfrentamentos entre polícia e manifestantes cresceram em violência desde junho e, enquanto o setor pró-democrático pede uma investigação independente sobre a brutalidade policial na dispersão dos protestos, Pequim vê "indícios de terrorismo" na atitude de alguns manifestantes violentos.

O tiro de largada das manifestações deste fim de semana será às 20h local de hoje (8h, em Brasília) com uma passeata convocada por estudantes universitários e internautas sob o lema "Apoio a Hong Kong. Poder para o povo".

Nessa manifestação participarão os principais nomes da oposição de Hong Kong, como o ativista Joshua Wong, a advogada Margaret Ng e a cantora e ativista Denise Ho.

Um dos pedidos previstos nessa manifestação será que "o Reino Unido declare descumprida a Declaração Conjunta Chino-Britânica de 1984, um tratado internacional vinculativo" pelo qual Pequim se comprometeu a respeitar os direitos e liberdades de Hong Kong durante 50 anos desde a recuperação de sua soberania (em 1997).

A segunda reivindicação é que o Congresso dos EUA e o Parlamento do Reino Unido, antigas metrópoles da cidade autônoma, imponham sanções às pessoas responsáveis ou cúmplices na supressão "de direitos e liberdades em Hong Kong".

Na manhã de sábado, às 11h local (meia-noite, em Brasília), começará uma passeata de professores até a residência da chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, enquanto às 15h30 (4h30, em Brasília) está previsto outro protesto entre Hung Hom e Kwan Wan, zonas populares entre os turistas chineses. Nenhuma delas conta com autorização policial.

Mais tarde, às 17h (6h, em Brasília), começará um comício de apoio à postura governamental de Hong Kong e Pequim.

Segundo o jornal governista "China Daily", "é esperada uma grande multidão para dizer não à violência e tirar a cidade de uma situação perigosa".

O código de vestimenta do cartaz propõe que as pessoas vistam branco ou azul, em contraste com o preto usado pelos manifestantes pró-democráticos de Hong Kong.

Branco foi também a cor usada por supostos membros de máfias que em 21 de julho espancaram de maneira indiscriminada os viajantes que passaram pela estação do metrô de Hong Kong de Yuen Long na hora do regresso de uma manifestação.

Já no domingo, às 14h30 (3h30, em Brasília), é esperada a maior de todas as manifestações, convocada pela Frente Civil de Direitos Humanos, com a brutalidade policial como tema central, e que também não foi autorizada pela polícia.

Esta manifestação será a anotação final de uma semana que começou com a ocupação de um terminal do Aeroporto Internacional de Hong Kong, um dos mais movimentados da Ásia, por parte de manifestantes, o que levou ao cancelamento de centenas de voos durante segunda-feira e terça-feira.

Uma decisão judicial iniciado na quarta-feira conseguiu limitar a entrada de manifestantes ao aeroporto, que já recuperou a normalidade.

Além disso, pouco além da fronteira com a China, na cidade limítrofe de Shenzhen, foram fotografados nesta quinta-feira centenas de veículos militares chineses.

Apesar dos nervos que estas manobras provocaram em Hong Kong, a imprensa oficial chinesa assegura que não haverá cenas como a de Tiananmen de 1989, quando centenas de manifestantes perderam a vida por disparo dos militares, embora deixa aberta a porta à intervenção em caso necessário.

E no meio de tudo isso, algumas chamadas ao amor e à paz.

Ao amor, através dos espaços de publicidade de Hong Kong por parte do empresário mais rico da cidade, Li Ka-Shing, nos quais pede "o fim da indignação e da violência em nome do amor", já que - diz o anúncio de maneira ambígua - "a melhor das intenções pode levar ao pior dos resultados".

Além disso, existem chamadas à paz também, que, no entanto, ainda não surtiram o efeito esperado.