EFEBuenos Aires

A Argentina lançou nesta segunda-feira uma campanha nacional de vacinação contra a covid-19 visando "a presença plena e segura nas escolas", tendo em vista o início do novo ano letivo dentro de algumas semanas e após dois anos em que a pandemia deixou milhares de crianças sem aulas durante meses e fez com que outras tantas abandonassem a escola.

"A prioridade é que neste ano haja escolaridade e presencialidade para todos os jovens argentinos. Que todos voltem à escola, que todos voltem à escola", disse o presidente argentino Alberto Fernández na cerimônia de lançamento da campanha em um estádio na cidade de Morón, na província de Buenos Aires.

"E para isso precisamos de professores, e temos que dar aos professores ambientes seguros para poderem trabalhar. E essa segurança só se dá pela vacinação", acrescentou o presidente argentino.

A nova campanha de vacinação e promoção da imunização contra o coronavírus destina-se a alunos do ensino básico e médio, suas respectivas famílias, docentes e não docentes com o objetivo de garantir a assiduidade durante o ano letivo.

O ciclo escolar, que terá duração de 190 dias, terá início em 2 de março em 22 das 24 jurisdições do país, segundo o ministro da Educação, Jaime Perczyk, para que assim o país tenha cinco semanas de antecedência para que crianças e adolescentes completem seu esquema de vacinação.

A Argentina começou a vacinação contra a covid-19 para adolescentes em agosto do ano passado e para crianças no último mês de outubro.

De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde, 69,5% das crianças entre 3 e 11 anos receberam a primeira dose e 46,3% têm o esquema completo, enquanto 85,7% dos adolescentes entre 12 e 17 anos iniciaram a vacinação e 67,5% a completaram.

Por sua vez, 90% dos professores têm o esquema vacinal completo.

Como parte das medidas de confinamento que a Argentina adotou para combater a pandemia em 2020 e parte de 2021, o governo de Alberto Fernández incluiu o fechamento de escolas e a virtualidade no ensino, o que, segundo seus próprios funcionários, desconectou cerca de um milhão jovens da escola, dos quais até agora conseguiram recuperar cerca de 500.000.

"Temos muitas caras de volta, mas estamos perdendo algumas outras", explicou Perczyk.

O presidente Fernández lembrou que quando Perczyk assumiu o cargo, em setembro do ano passado, lhe confiou a missão de buscar os jovens que abandonaram a escola.

Como resultado, foi decretada em dezembro do ano passado a ampliação da chamada Bolsa Progresar para aqueles que estão terminando o ensino médio e na qual mais de 400.000 alunos se inscreveram, embora Fernández espere que um milhão se matriculem.

"Para que todos possamos voltar à presença plena, é muito necessário que todos estejamos vacinados", ressaltou o presidente argentino, que indicou que cerca de 80% dos internados infectados com covid-19 não estão vacinados ou têm o esquema incompleto, razão pela qual pediu a professores e alunos que se vacinem, enfatizando a "responsabilidade individual e a solidariedade".

"A Argentina tem uma vantagem sobre outras sociedades e é que a cultura da vacinação está profundamente enraizada em sua cultura", destacou Fernández. EFE