EFEAssunção

Um ato realizado besta quarta-feira em frente à sede do Ministério da Saúde do Paraguai, em Assunção, homenageou os mortos por covid-19 no país.

Membros da Associação Latino-americana de Medicina Social (Alames), da Anistia Internacional (AI) e da Coordenação de Direitos Humanos do Paraguai (Codehupy) amarraram fitas brancas na grade que cerca o Ministério, e nelas havia os nomes das mais de 4,5 mil vítimas da doença no país desde o início da pandemia do novo coronavírus.

Também foram colocados cartazes e faixas de protesto para ressaltar a necessidade e a urgência de garantir uma saúde pública gratuita e de qualidade aos cidadãos paraguaios.

A coordenadora da Alames, Mariluz Martín, disse à Agência Efe que o ato também procurou tornar visível o trabalho dos profissionais da saúde que "trabalharam e trabalham em condições muito precárias, com muito cansaço".

"Primeiro reconhecemos os trabalhadores da saúde que perderam suas vidas nesta pandemia, o que acreditamos que poderia ter sido evitado, especialmente se tivessem sido tomadas as medidas de biossegurança necessárias desde o início, assim como os suprimentos e medicamentos", afirmou.

COLAPSO DO SISTEMA DE SAÚDE.

No início da pandemia, o governo paraguaio decretou uma quarentena total e rigorosa e obteve a aprovação de um empréstimo de US$ 1,6 bilhão para reforçar e preparar seu deficiente sistema de saúde.

No entanto, um ano depois, tanto os hospitais públicos como os privados estão em colapso e sem leitos disponíveis.

Esta situação gerou mal-estar entre a população, o que também ficou evidente nas faixas colocadas no ato de hoje no Ministério.

"Demos-lhes um ano para se prepararem", "A saúde nunca mais deve ser um privilégio" e "Nossas vidas não são um negócio" foram algumas das mensagens que puderam ser lidas em frente à sede da pasta.

Mariluz enfatizou que a sociedade "legitimou" esse endividamento para "adaptar o sistema de saúde a uma situação pandêmica", mas um ano depois não viu sua utilidade.

"As famílias estão se endividando. Há famílias que estão vendendo seus carros, suas casas, para poder pagar a internação de parentes em UTIs. Estamos atualmente em um colapso sem precedentes na saúde", acrescentou.

Alames, Codehupy e Anistia Internacional pediram ao governo paraguaio que assuma seu papel de garantidor do direito à vida e à saúde e exerça sua liderança.

As entidades também exigiram a formação de um comitê de crise no qual os três ramos do governo estejam representados sob a liderança do Ministério da Saúde e para evitar a especulação com os preços dos medicamentos.

O Paraguai relatou 224.736 casos de covid-19 e 4.522 mortes pela doença desde março de 2020.