EFEJeimmy Paola Sierra. La Unión (Colômbia)

Em La Unión, na Colômbia, onde caiu o avião que levava a delegação da Chapecoense, dirigentes e jornalistas para a final da Copa Sul-Americana, em 2016, relembrou neste domingo os cinco anos da tragédia, com uma homenagem às vítimas.

Na aldeia de Pantalio, no limite entre os municípios de La Unión e La Ceja, aconteceu uma emocionada cerimônia, dedicada aos 71 mortos na queda da aeronave e também aos seis sobreviventes e às pessoas que participaram dos trabalhos de resgate no agora chamado 'Cerro Chapecoense' (Morro Chapecoense, em tradução).

Uma escola rural foi o local escolhido para o ato, onde se estenderam bandeiras do Brasil, Colômbia, Bolívia, Paraguai e Venezuela. Diplomatas, religiosos, funcionários e moradores da região estiveram presentes.

A solenidade incluiu apresentações de uma orquestra, uma cerimônia religiosa, o sobrevoo de helicópteros e discursos recheados de emoção.

Uma homenagem não é um adeus aos falecidos, mas sim, um até logo", afirmou o sacerdote José Giraldo, que exaltou a "semente de unidade" entre Colômbia e Brasil, que surgiu após a tragédia.

MARCA PARA SEMPRE.

Entre as várias pessoas que vestiam camisas da Chape e o Atlético Nacional, que enfrentaria o time brasileiro na decisão da Sul-Americana, que acabou não acontecendo, estava a a controladora de voo Yaneth Molina, que se apresenta como "a última pessoa que se apresentou ao serviço" no avião da LaMia que partia de escala na Bolívia em direção ao aeroporto de Rionegro, onde nunca chegou.

"É uma marca que você carrega com você. Estou feliz por estar aqui, relembrando esse momento que foi tão difícil para todos. Temos que estar aqui, prestando um tributo a eles. É também uma forma de cura, de paz, de estar calmo", disse Molina, à Agência Efe.

Molina não segurou o choro durante a entrevista, assim como outros durante a solenidade, como o comandante dos Bombeiros de La Unión, Fabián Mejía, um dos primeiros a chegar ao local da tragédia no então chamado Cerro Gordo.

O integrante dos serviços de resgate confessa ainda lembrar do forte cheiro de combustível no local, do medo que tomava conta do corpo dele e dos feridos tentando enviar sinais com luzes de dentro da aeronave.

"É difícil recordar disso. É difícil voltar a caminhar aqui. Naquela noite, tivemos medo pela responsabilidade que estávamos assumindo", disse Mejía.

Cinco anos depois, o comandante dos Bombeiros admite que ainda se sente "um pouco frustrado por não ter podido fazer mais".

MONUMENTO À IRMANDADE.

O cônsul honorário do Brasil em Medellín, Sergio Escobar, exaltou o trabalho daqueles que classificou como "heróis", em referência às equipes de resgate e também aos moradores de La Unión.

O diplomata destacou que, a partir daquele acidente, "no Brasil, há um antes e um depois sobre o que se pensa da Colômbia", devido ao aumento do sentimento de "irmandade e solidariedade" entre os dois países.

"Somos irmãos para sempre", afirmou Escobar, que revelou estar sendo estudada a inauguração de uma escultura para tornar concreta essa relação.

Aquele, no entanto, não seria o único símbolo no Cerro Chapecoense, pois o prefeito de La Unión, Edgar Osorio, anunciou que há intenção de construir um santuário no local.

Enquanto isso não acontece, no local, existe uma capela e 71 cruzes, com os nomes de todas as vítimas da queda do avião. Além disso, a história daquela noite segue sendo lembrada por moradores, que chegaram a fazer pequenos museus nas próprias casas, imortalizando os envolvidos naquela tragédia. EFE

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