EFENashville (EUA)

O candidato do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, classificou nesta quinta-feira como "ridículo" rotular a defesa de "uma opção pública" na área da saúde como um "plano socialista", como afirmou o presidente do país, Donald Trump.

"É ridículo, você sabe, que o fato de haver uma opção pública para as pessoas escolherem a faça parecer um plano socialista", disse Biden em Nashville, no estado do Tennessee, durante o segundo e último debate com Trump antes das eleições de 3 de novembro.

O ex-vice-presidente no governo de Barack Obama (2009 a 2017) enfatizou que o "terrível tratamento" da pandemia por parte da administração Trump já teve um custo para os americanos e um "desperdício financeiro".

"Dez milhões de pessoas perderam sua cobertura médica privada, e (Trump) quer tirar o 'Obamacare' das 22 milhões de pessoas que estavam sob o 'Obamacare' e cerca de 110 milhões de pessoas com doenças anteriores", disse.

"Obamacare" é o nome do plano de seguro de saúde criado pelo governo Barack Obama para incluir pessoas com problemas de saúde crônicos que ou não estão cobertas pelas companhias de seguro ou para as quais eram cobradas taxas exorbitantes.

Trump ressaltou no debate que gostaria de encerrar o "Obamacare" e, se reeleito, o substituiria por "novos e agradáveis cuidados de saúde".

"(Biden) quer socializar a medicina. Não que ele mesmo o queira, é sua (candidata a) vice-presidente (Kamala Harris). Ela é mais progressista que (o senador socialista) Bernie Sanders, e ela quer (esse plano) mais que o próprio Bernie Sanders. Vocês (democratas) vão socializar a medicina", declarou Trump.

A reforma do sistema de saúde de Obama, aprovada em 2010, foi rejeitada desde o início pela maioria dos membros do Partido Republicano, que tentaram derrubá-la através da Suprema Corte e também no Congresso, onde todas as tentativas até agora fracassaram.

Desde que chegou à Casa Branca, em 2017, Trump fez todo o possível para reverter a reforma de Obama e, embora não tenha tido sucesso, conseguiu enfraquecê-la.

Sua última chance pode vir em 10 de novembro, após as eleições e quando a Suprema Corte planeja avaliar uma queixa apresentada contra o "Obamacare" por uma coalizão de procuradores-gerais do Partido Republicano com o apoio do governo Trump.

Este caso tornou-se ainda mais importante desde que Trump anunciou no sábado a nomeação da juíza conservadora Amy Coney Barrett para preencher a vaga deixada no Supremo Tribunal pela magistrada progressista Ruth Bader Ginsburg, que morreu em 18 de setembro.