EFEBerlim

O presidente americano, Joe Biden, garantiu o apoio dos Estados Unidos aos parceiros europeus, aos quais alertou sobre o atual "debate fundamental" entre democracia e autocracia, e pediu cooperação diante da "competição estratégica" com a China e a "ameaça" da Rússia.

Em falou sobre a relação transatlântica em seu primeiro discurso em uma edição virtual da Conferência de Segurança de Munique, na qual a chanceler da Alemanha, Angela Merkel; o presidente da França, Emmanuel Macron; e o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson; se mostraram à vontade para trabalhar com Washington após o distanciamento da presidência de Donald Trump.

"A relação transatlântica está de volta", declarou Biden, ao ressaltar o "compromisso irrenunciável" dos EUA com a segurança dos parceiros da Otan e o artigo 5 da carta de fundação da aliança, que garante que todos os membros se defenderão quando um deles for atacado.

Sem mencionar o antecessor, Biden enfatizou que os laços dos EUA com a Europa perduram porque são baseados nos "valores democráticos compartilhados" e "não são transacionais nem retiráveis", e se comprometeu a trabalhar "de perto" com os tradicionais parceiros.

Merkel, que afirmou que "a Alemanha está pronta para um novo capítulo nas relações transatlânticas", disse considerar a agenda comum "clara" e defendeu o trabalho com base em valores comuns e apesar do fato de por vezes existirem "diferenças" nos "interesses".

CHINA E RÚSSIA.

Biden, que pediu para olhar "para o futuro" com base na "segurança coletiva" e no "bem-estar", alertou os aliados para o "ponto de inflexão" em que o mundo se encontra atualmente, com um confronto entre sistemas.

Depois de assinalar que não quer "voltar aos blocos rígidos", em referência à Guerra Fria, pediu cooperação entre países democráticos para que prevaleçam diante de "desafios e desafiantes" e garantam a paz.

O presidente dos EUA insistiu na preparação de uma "dura e duradoura competição estratégica" com a China, a qual acusou de não manter os padrões ocidentais nas esferas econômica e comercial.

Além disso, advertiu contra a "imprudência" da Rússia, que "quer enfraquecer" o projeto europeu, notou o seu papel no conflito no leste da Ucrânia e denunciou os seus múltiplos ataques cibernéticos: "Putin busca enfraquecer o projeto europeu e a nossa aliança da Otan", exclamou.

Contudo, Biden defendeu a cooperação inclusive com Rússia e China em "questões que afetam a todos" e citou a luta contra a pandemia de covid-19 e a emergência climática.

Os governantes de França e Alemanha também defenderam, em meio às suspeitas americanas, o reforço da cooperação europeia no campo militar. Esta iniciativa, de acordo com a chanceler alemã, é "complementar" à Otan.

"Está na hora de assumirmos uma maior carga da nossa proteção. A UE e os seus membros-chave têm de fazer parte da solução para a sua própria segurança", disse Macron, que defendeu que "uma UE mais envolvida na defesa" a torna "mais confiável como membro da Otan".

IRÃ.

Em sinal de regresso à arena multilateral e de cooperação com os parceiros europeus, Biden anunciou também que está disposto a "negociar" com o Irã e os demais países signatários do acordo nuclear de 2015, que os EUA abandonaram sob a gestão de Trump.

"Estamos preparados para retomar as negociações sobre o programa nuclear do Irã", admitiu Biden, mostrando-se pronto a satisfazer as exigências de Reino Unido, França e Alemanha, que permaneceram no acordo apesar das dificuldades.

O presidente dos EUA, contudo, acrescentou que é necessário que neste potencial diálogo se enfrente também "atividades desestabilizadoras" do Irã no Oriente Médio.