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O governo do Canadá afirmou nesta quarta-feira que defenderá o direito das empresas do país de manter relações comerciais com Cuba depois que os Estados Unidos anunciaram que permitirão ações judiciais contra companhias estrangeiras que operam na ilha caribenha.

A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, declarou em comunicado que "o Canadá está profundamente decepcionado com o anúncio de hoje".

"Revisaremos todas as opções em resposta a esta decisão dos Estados Unidos", indicou.

Freeland acrescentou que desde que o Canadá soube que os EUA ativariam os artigos III e IV da lei Helms-Burton, que tinham estado suspensos desde a aprovação da norma em 1996, manteve conversas intensas com as autoridades americanas.

"Desde que os Estados Unidos anunciaram em janeiro que revisariam o artigo III, o governo do Canadá esteve em contato regular com o governo dos EUA para comunicar nossas preocupações sobre as possíveis consequências negativas para os canadenses", disse Freeland.

"Me reuni com o secretário de Estado (dos EUA) Mike Pompeo para transferir essas preocupações. Funcionários do Canadá e dos EUA mantiveram discussões detalhadas sobre a lei Helms-Burton e a lei de Medidas Extraterritoriais Estrangeiras do Canadá. Também discuti o tema com a União Europeia", completou Freeland.

A lei canadense permite a apresentação de processos contrários a qualquer denúncia americana relativa aos laços comerciais entre Cuba e Canadá.

A ministra também explicou que esteve em contato com empresas canadenses com interesses em Cuba para reafirmar que o governo defenderá "totalmente os interesses dos canadenses que mantêm relações comerciais e investimentos legítimos em Cuba".

Precisamente hoje, a alta representante da União Europeia para Política Externa e Segurança, Federica Mogherini, e a comissária de Comércio europeia, Cecilia Malmström, emitiram um comunicado junto com Freeland no qual lamentaram a decisão dos EUA.

O comunicado também indicou que a aplicação de medidas unilaterais extraterritoriais sobre Cuba é "contrária à lei internacional" e que ambas partes trabalharão juntas para "proteger os interesses das nossas empresas" no contexto da Organização Mundial do Comércio (OMC).