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O mafioso Rocco Morabito, considerado um dos chefes da Ndrangheta, organização criminosa que atua na Calábria, no sul da Itália, desembarcou nesta quarta-feira no aeroporto Ciampino, em Roma, após ser extraditado pela Polícia Federal do Brasil, onde estava preso desde maio do ano passado.

O envio do italiano foi feito pelo governo italiano e autorizado pela justiça brasileira em março deste ano, com confirmação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em 5 de maio.

O mafioso, um dos mais procurados da Itália, apenas atrás do líder da Cosa Nostra, Matteo Messina Denaro, havia sido preso em 24 de maio do ano passado, em um hotel em João Pessoa, na Paraíba.

Na Itália, é pedida pena de 30 anos de prisão para Morabito, pelos crimes de associação criminosa, tráfico de drogas e outros graves crimes.

O processo contra Morabito foi acelerado nos últimos dias a partir dos intensos contatos entre autoridades de Brasil e Itália para a aplicação do projeto I-can, promovido e financiado pelo país europeu, através da Interpol, que criou uma rede de 13 nações no mundo para combater a ameaça global representada pela Ndrangheta.

O mafioso extraditado tem 55 anos e era conhecido nos anos 1990 como "o rei da cocaína de Milão". Posteriormente, segundo a acusação, o criminoso partiu para a Calábria, para estender a rede de tráfico de drogas e fazer o transporte de entorpecentes do norte da Itália para a América do Sul.

Morabito chegou a se mudar para o Uruguai, onde seguiu dirigindo o esquema de venda de drogas da Ndraghetta, até que foi preso em um hotel de Montevidéu, em 2017.

O italiano vivia em uma luxuosa mansão de luxo em Punta del Este e usava um passaporte brasileiro falso, se apresentando como um empresário que atuava no ramo da exportação de soja.

Em 2019, quando esperava a extradição do Uruguai, junto com outros três criminosos internacionais, quando conseguiu escapar da penitenciária em que estava recluso e se tornou foragido das autoridades. EFE