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As autoridades farmacológicas do Chile aprovaram nesta quarta-feira o uso emergencial da vacina fabricada pelo laboratório chinês CanSino, que exige uma dose única e da qual se espera que 1,8 milhão de injeções cheguem ao país a partir de maio.

"A aprovação é até aos 60 anos de idade porque a maioria dos estudos estava na faixa etária dos 18 a 60 anos", disse Heriberto García, diretor do Instituto de Saúde Pública (ISP), onde a aprovação obteve 10 votos a favor, dois contra e uma abstenção.

Tendo em conta que "vacinamos a população com mais de 55 anos de idade no Chile, consideramos que poderíamos autorizá-la", disse García, durante entrevista coletiva.

A vacina Ad5-nCoV junta-se assim às três que já receberam autorização no Chile: a produzida pelo conglomerado alemão-americano Pfizer/BioNTech, a do laboratório chinês Sinovac e a britânica da AstraZeneca.

Ao contrário de outras vacinas, esta requer refrigeração entre 2 e 8 graus Celsius por até três meses, o que facilita o processo de distribuição.

A vacina, que é um vetor viral e cuja metodologia é baseada na utilizada contra o Ebola, já foi autorizada na China, Paquistão, Hungria e México.

De acordo com os primeiros resultados, é 65,7% eficaz nos casos sintomáticos e 90,9% nos casos graves, explicaram as autoridades.

O Chile, que já comprometeu mais de 35 milhões de doses, é um dos países com maior percentual de população vacinada e, desde fevereiro, mais de 7,1 milhões de pessoas já receberam pelo menos uma dose (cerca de 4,2 milhões de ambas as injeções).

O país, com mais de 1 milhão de infectados e 23.796 mortes em um ano, vive, no entanto, os piores momentos da pandemia, com hospitais à beira do colapso e mais de 83% da população em confinamento estrito.

A virulência da pandemia, em que as variantes brasileira e britânica têm papel fundamental, levou o governo chileno a anunciar o fechamento das fronteiras por um mês, que entrou em vigor na última segunda-feira.

O governo chileno acredita que os primeiros efeitos da vacinação serão notados em meados de abril e confia que para as eventuais eleições de maio, haverá 9,3 milhões de pessoas com pelo menos uma dose.