EFEWashington

A Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos retirou o espião de mais alta categoria na Rússia em 2017, meses após a chegada de Donald Trump à Casa Branca, por considerar que a segurança dele havia ficado comprometida, segundo informações da mídia americana divulgadas na segunda-feira.

Washington recrutou o informante décadas atrás, quando ele era um funcionário médio no Kremlin, mas com o passar dos anos, ascendeu até ter uma posição influente, com acesso frequente ao presidente russo, Vladimir Putin, e a tomada de decisões.

De acordo fontes consultadas pela emissora "CNN", a categoria do espião era tamanha, que ele inclusive fornecia à CIA imagens de documentos da mesa de Putin.

As informações eram tão delicadas e valiosas que, durante o governo anterior, o então diretor da CIA, John O. Brennan, deixou de fora os relatórios diários de segurança para o presidente Barack Obama e os entregou em envelopes selados.

No entanto, a CIA começou a se preocupar com a segurança de seu informante depois que o Kremlin supostamente tentou interferir nas eleições de 2016 para a Casa Branca, a favor de Trump.

Sendo um dos seus principais nomes, a CIA aconselhou que o espião abandonasse suas funções e deixasse a Rússia sob proteção americana, algo que foi negado, provocando estranheza em Washington e gerando dúvidas sobre sua lealdade.

Em meados de 2017, o agente, cuja identidade era desconhecida, resolveu deixar a Rússia.

Hoje, veículos de imprensa russos revelaram o nome do suposto espião, que seria o ex-oficial do Kremlin Oleg Smolenkov, que trabalhou no gabinete presidencial russo por vários anos, até fugir de repente do país, em junho de 2017, acompanhado de seus familiares, segundo o canal "Telegram Besposchiadni Piarschik".

De acordo com o site russo "Daily Storm", Smolenkov, na companhia da esposa e três filhos, saiu de férias para Montenegro, onde seu rastro foi perdido.

Após o desaparecimento do funcionário, as autoridades russas entraram com um processo criminal por assassinato em setembro do mesmo ano.

Porém, investigadores e agentes do Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia conseguiram estabelecer que as supostas vítimas "estavam vivas e em outro país", afirmou o jornal "Kommersant".

O jornal também revela que, em junho de 2018, um homem chamado Oleg Smolenkov adquiriu uma mansão de 760 metros quadrados com Antonina Smolenkova na cidade de Stafford (no estado americano da Virgínia), no valor de US$ 925 mil.

Segundo a imprensa russa, a esposa do suposto espião é precisamente Antonina, que também trabalhava para o governo de Moscou.

A infiltração de agentes ou o recrutamento de informantes no Kremlin é considerada extremamente difícil, dados os métodos eficazes de contrainteligência da Rússia.

Segundo o jornal "The New York Times", os EUA consideram que a vida do informante corre perigo, devido os precedentes da Rússia com supostas tentativas ou assassinatos de espiões, como é o caso de Sergei Skripal, ocorrido no ano passado, no Reino Unido.