EFEBeirute

A coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos confirmou nesta terça-feira que está saindo do nordeste da Síria e que já não se encontra na cidade de Manbij - onde antes estava baseada com os curdos -, após a decisão do presidente Donald Trump de retirar as tropas americanas do país.

"As forças da coalizão estão fazendo uma retirada deliberada do nordeste da Síria. Estamos fora de Manbij", declarou no Twitter o porta-voz da aliança, o coronel Myles B. Caggins III.

O anúncio chega um dia após Trump dizer que as tropas se retirariam do norte da Síria, onde nos últimos anos apoiaram as Forças da Síria Democrática (FSD), uma aliança liderada por curdos, no combate ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI) - que foi derrotado territorialmente em 23 de março.

Trump afirmou que uma parte das tropas americanas continuará na base de Al-Tanf, no sul da Síria, para supervisionar e "prevenir que não se repita" o que aconteceu em 2014, quando teve início o autoproclamado califado jihadista que se expandiu pela Síria e pelo Iraque.

A cidade de Manbij foi ocupada pelo grupo jihadista até 2016, quando os curdos - com o apoio dos EUA - derrotaram os extremistas e tomaram a região.

A agência estatal síria "SANA" divulgou nesta terça-feira imagens de unidades do Exército sírio em Manbij. Ontem foi anunciado que essas tropas tinham entrado na cidade em virtude de um acordo militar com os curdos para se mobilizarem ao longo da fronteira.

O pacto pretende proteger a fronteira e recuperar o território perdido durante a ofensiva da Turquia, iniciada na quarta-feira passada.

Os rebeldes sírios apoiados pela Turquia e contrários ao governo do presidente sírio, Bashar al Assad, anunciaram ontem o início da ofensiva em Manbij contra as milícias curdo-sírias, que são consideradas "terroristas" pelas autoridades turcas.

Na segunda-feira passada, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, antecipou os planos de entrar nas cidades sírias de Kobane e Manbij após a retirada dos americanos.

Em princípio, Manbij não entrará na faixa de fronteira de aproximadamente 30 quilômetros de largura que a Turquia pretende criar no norte da Síria para reassentar dois milhões de refugiados sírios que fugiram da guerra no país natal e estão em território turco atualmente.