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O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, enviou nesta quarta-feira uma mensagem de condolências e uma coroa de flores à Coreia do Sul por conta da morte da ex-primeira-dama Lee Hee-ho, embora tenha evitado transmitir uma mensagem direta a Seul em plena estagnação do diálogo.

A irmã do líder norte-coreano, Kim Yo-jong, entregou pessoalmente as flores e a mensagem a uma delegação sul-coreana na aldeia de Panmunjom, na militarizada fronteira entre os países.

A irmã e braço direito de Kim "expressou seu desejo de continuar impulsionando a cooperação intercoreana para honrar o esforço de Lee Hee-ho pela reconciliação e cooperação do povo coreano", disse à imprensa local o diretor do Escritório Nacional de Segurança da Coreia do Sul, Chung Eui-yong, que liderou a delegação sul-coreana.

Chung acrescentou que Kim Yo-jong não transmitiu nenhuma mensagem adicional de Kim Jong-un ao presidente sul-coreano, Moon Jae-in.

Alguns acreditam que a morte de Lee, ocorrida na última segunda-feira aos 96 anos em decorrência um câncer de fígado, pode servir para impulsionar uma aproximação intercoreana, que ficou estagnada desde a cúpula entre o líder norte-coreano e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada em fevereiro em Hanói.

Existe inclusive a possibilidade de a Coreia do Norte enviar uma delegação ao funeral de Lee, viúva de Kim Dae-jung (presidente da Coreia do Sul entre 1997 e 2003), que foi uma figura muito ativa apoiando a aproximação entre Seul e Pyongyang.

Além de acompanhar seu marido em 2000 na histórica primeira cúpula intercoreana, realizada em Pyongyang, a ex-primeira-dama voltou a visitar a capital norte-coreana em 2011 e 2015.

De fato, ela foi uma das primeiras figuras sul-coreanas a conhecer Kim Jong-un, durante a viagem que fez em 2011 para expressar suas condolências pela morte de Kim Jong-il (pai do atual líder e protagonista, junto a Kim Dae-jung, da primeira cúpula intercoreana).

Após um ano de intensa aproximação, a relação entre Seul e Pyongyang está em ponto morto depois que a cúpula de Hanói terminou sem acordo sobre o modelo para desnuclearizar a Coreia do Norte.

Desde então, o regime endureceu sua retórica em relação à Coreia do Sul e inclusive lançou mísseis de curto alcance com o objetivo de pressionar Washington para que modifique sua atual postura sobre um desarmamento imediato e sem concessões gradativas para Pyongyang.

Por outro lado, Trump revelou na última segunda-feira ter recebido uma carta pessoal de Kim, o que aponta que o diálogo pode ser reativado em breve.