EFENações Unidas

Apesar das suas derrotas militares, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) mantém milhares de combatentes no Iraque e na Síria e continua sendo uma ameaça em nível global, segundo alertaram nesta segunda-feira as Nações Unidas.

"As recentes perdas do EI não deveriam levar à complacência em nenhum nível", afirmou o chefe do escritório antiterrorista da ONU, Vladimir Voronkov.

O diplomata russo apresentou ao Conselho de Segurança o último relatório elaborado pelas Nações Unidas sobre a ameaça do Estado Islâmico, o primeiro desde que os Estados Unidos anunciaram sua intenção de retirar da Síria suas tropas enviadas para combater os jihadistas.

Segundo a ONU, o EI conserva um comando centralizado e uma grande presença no Iraque e na Síria, onde calcula-se que dispõe de entre 14.000 e 18.000 militantes, incluindo 3.000 chegados de outros países.

Voronkov destacou que, diante das suas perdas territoriais, o EI está convertendo-se mais e mais em uma rede encoberta e que opera em nível local e regional, mas cujas ações seguem guiadas em boa medida pela sua direção central.

Nos últimos dias, as Forças da Síria Democrática (FSD), uma aliança armada liderada por curdos, seguiram avançando na sua ofensiva contra os jihadistas e se aproximam do momento de proclamar a vitória contra tal organização no país árabe.

Segundo os EUA, a expectativa é que nesta semana possa ser feito formalmente o anúncio de que o EI foi totalmente expulso dos seus últimos redutos no nordeste da Síria.

Uma das preocupações destacadas hoje pela ONU é o perigo representado pelos combatentes de distintas nacionalidades que viajaram para a região para unir-se ao grupo terrorista e que agora estão retornando aos seus locais de origem ou transferindo-se a outras áreas.

No caso do Iraque, as Nações Unidas advertem que a saída de membros do EI da Síria com rumo a esse país pode complicar a situação ali.

Além disso, o grupo mantém suas redes internacionais, com forte presença em países como Afeganistão e Líbia e tentativas para estender-se em outras nações africanas e asiáticas.

Em termos financeiros, os cálculos da ONU apontam que o EI teria ainda reservas de entre US$ 50 milhões e 300 milhões.

Embora o grupo tenha perdido acesso a recursos com suas derrotas no Oriente Médio, as células da rede seguem gerando receitas através de atividades criminosas, segundo o relatório. EFE

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