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O governo da Espanha apelou nesta quarta-feira para a cautela antes de suspender as restrições de deslocamento durante a Páscoa, daqui a um mês, para evitar que um relaxamento das medidas contra a Covid-19 gere uma nova onda de infecções no país.

O governo liderado por Pedro Sánchez acredita que a Espanha está no caminho certo, com uma redução das infecções, embora lenta, mas prefere ser prudente antes de diminuir as proibições, mantendo indicadores como uma pressão hospitalar ainda preocupante quanto a pacientes com coronavírus.

O país está dividido entre a posição de várias regiões que ainda compreendem uma decisão precipitada sobre a Páscoa, esperando para ver como a pandemia evolui, e algumas como Madri, que tem as medidas mais flexíveis na Espanha e aponta para a necessidade de recuperar setores-chave, como o turismo, durante o feriado.

EM BUSCA DE POSTURA DE PAÍS.

"Continuamos no caminho certo, embora o declínio (de casos positivos) tenha diminuído", declarou a ministra da Saúde espanhola, Carolina Darias, após uma reunião entre o governo central e as regiões.

De acordo com os dados oficiais divulgados nesta quarta, o país chegou a 70.247 mortes por Covid-19 e 3.136.321 infecções. Porém, a incidência acumulada em 14 dias continua caindo e agora é de 159 infecções por 100 mil habitantes.

Entretanto, essa incidência excede na região de Madri, com cerca de 6,6 milhões de habitantes dos quase 47 milhões do país inteiro, os 250 casos por 100 mil pessoas. O número é considerado o limite do nível de risco extremo, que também é superado por duas cidades espanholas da costa norte-africana, Ceuta e Melilla.

Darias se referiu a esses dados e ao ritmo lento de declínio da ocupação em unidades de terapia intensiva em hospitais. Em três regiões, mais de 40% dos leitos estão em uso com pacientes com Covid-19, o que a levou a advertir que a Espanha ainda não é capaz de absorver uma nova onda de contágio, após a causada pelo relaxamento de algumas medidas durante as festas de fim de ano.

"Ainda temos um longo caminho a percorrer antes de retornar a alguma normalidade. O objetivo é salvar vidas, não salvar semanas", destacou a ministra.

A Páscoa, entre 28 de março e 4 de abril, além da celebração religiosa com grande tradição na Espanha, é uma data chave para o turismo, um setor chave para a economia local, mas muito atingido pelas restrições da pandemia.

Na reunião entre o governo e as autoridades regionais, foi definido adiar para a semana que vem a decisão de flexibilizar ou não as proibições, sob o estado de alarme planejado até maio em território espanhol.

O objetivo é tentar "uma resposta nacional", afirmou a ministra sobre a possibilidade de uma decisão conjunta para evitar a disparidade de critérios entre regiões dentro da margem dada pela declaração de estado de alarme.

"Nosso objetivo é que em nenhum caso retornemos a uma quarta onda, não podemos arcar com isso. É o objetivo comum. A ideia seria ir a uma declaração de ações coordenadas", frisou.

VACINAÇÃO AVANÇA.

Segundo o Ministério da Saúde, entre as pessoas com mais de 65 anos que vivem em asilos na Espanha, 85% já receberam duas doses de vacinas contra o coronavírus, enquanto outros 11% foram inoculados uma vez.

O país soma 150.586 novas doses aplicadas em um dia, de modo que ultrapassa 4 milhões de vacinas administradas, 72% das fornecidas por empresas farmacêuticas até agora.

Quanto ao critério de administrar a vacina AstraZeneca apenas a pessoas com menos de 55 anos, que vários integrantes da União Europeia descartaram, Darias justificou que a Espanha adotou esse limite "por prudência", mas é uma decisão aberta e que pode mudar se o estudo feito nos Estados Unidos sobre o grupo populacional demonstrar que o imunizante tem eficácia.