EFECairo

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) assumiu nesta terça-feira a autoria da série de ataques cometidos no Sri Lanka contra igrejas e hotéis de luxo que causaram a morte de 321 pessoas e deixaram mais de 500 feridos no Domingo de Páscoa, segundo a última apuração das autoridades cingalesas.

Em um comunicado atribuído ao EI e difundido através da rede de mensagens Telegram, cuja autenticidade não pôde ser verificada, o grupo assegurou que sete terroristas cometeram os atentados que teriam deixado cerca de 350 mortos e 650 feridos, entre eles três membros das forças de segurança do Sri Lanka.

Na nota, o Estado Islâmico detalhou que seus homens atacaram várias igrejas e hotéis nos quais havia seguidores da coalizão dos "cruzados", utilizaram em seus ataques cinturões e coletes com explosivos, além de bombas, e também entraram em confronto com a polícia local.

A apuração de vítimas segundo o EI é de cerca "de 350 cristãos mortos e 650 feridos", entre eles cidadãos dos países da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos e integrada por 75 nações que atua na Síria e no Iraque contra os jihadistas.

Anteriormente, a agência de informação "Amaq", vinculada aos extremistas, afirmou que "os executores do ataque que teve como alvo cidadãos dos países da coalizão e cristãos antes de ontem são combatentes do Estado Islâmico".

O vice-ministro da Defesa do Sri Lanka, Ruwan Wijewardene, disse hoje em discurso no parlamento cingalês que o número de mortos nos atentados aumentou para 321 e que os feridos já são mais de 520.

Entre as vítimas há mais de 30 estrangeiros de países como Espanha, Dinamarca, Bangladesh, China, Índia, França, Japão, Holanda, Portugal, Arábia Saudita, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos e Austrália.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informou hoje que 45 crianças estão na lista de mortos nos ataques.

O governo do Sri Lanka vinculou os ataques com o pouco conhecido grupo terrorista local de ideologia islamita National Thowheeth Jamath (NTJ), mas alertou que o mesmo provavelmente contou com o suporte de grupos estrangeiros.

No Sri Lanka, os cristãos representam 7,4% da população, enquanto os budistas são 70,2%, os hinduístas 12,6% e os muçulmanos 9,7%, segundo dados do censo de 2011.

Os países árabes e a instituição de referência do islã sunita, a universidade e mesquita de Al Azhar, situada no Egito, condenaram os "desprezíveis e brutais atos" que tiveram como alvo as pessoas que assistiam a missas em diferentes igrejas e outras que estavam hospedadas em hotéis.

Atentados dessa magnitude não ocorriam no Sri Lanka desde a guerra civil entre a guerrilha tâmil e o governo, um conflito que durou 26 anos e terminou em 2009, e que causou mais de 40 mil mortes entre os civis, segundo dados da ONU.