EFELa Paz

Evo Morales denunciou neste domingo, após anunciar sua renúncia como presidente da Bolívia, que corre o risco de ser preso ilegalmente e que grupos violentos atacaram sua residência.

"Denuncio ao mundo e ao povo boliviano que um oficial da polícia anunciou publicamente que tem instrução de executar uma ordem de prisão ilegal contra mim; além disso, grupos violentos invadiram minha casa. Os golpistas destroem o Estado de Direito", escreveu Evo Morales no Twitter.

A mensagem foi publicada após o líder opositor Luis Fernando Camacho também afirmar nas redes sociais que havia uma orden para que Morales fosse detido.

"Confirmado!! mandado de prisão para Evo Morales!! A polícia e os militares procuram por ele em Chapare, lugar onde se escondeu", disse Camacho em referência à província no departamento de Cochabamba, no centro da Bolívia, onde se supõe que o ex-governante possa estar.

"Os militares tiraram dele o avião presidencial, e está escondido em Chapare, vamos atrás dele!", acrescentou.

A Polícia Boliviana não informou nada a respeito, nem outra fonte oficial do país, no qual foi gerado um vazio de poder após vários membros do governo renunciarem, assim como aqueles que, constitucionalmente, poderiam suceder Morales, como o vice-presidente e os chefes da Câmara dos Deputados e do Senado.

A imprensa boliviana divulgou imagens do saque de uma residência de Morales em Cochabamba, capital do departamento homônimo, onde também fica Chapare, de onde o ex-presidente despontou como líder sindicalista entre os produtores de coca antes de chegar ao poder.

Várias das maiores cidades da Bolívia, como a própria Cochabamba, La Paz e El Alto, foram palco na noite deste domingo de uma onda de saques, incêndios e outros distúrbios, e muitos cidadãos pediram ajuda à Polícia e às Forças Armadas.

Diversos policiais haviam deixado as ruas para se amotinarem em quartéis antes da renúncia de Morales.

Morales renunciou após quase 14 anos no poder em meio a denúncias de fraude nas eleições de 20 de outubro, nas quais se reelegeu em primeiro turno para o quarto mandato.

De manhã, ele havia aceitado a realização de novas eleições após um relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) assim o sugerir ao detectar graves irregularidades no pleito de outubro. EFE

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