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Ex-governador do estado peruano de Ancash, César Alvarez tornou-se nesta terça-feira o primeiro condenado pela Justiça do país por envolvimento no escândalo de corrupção da construtora brasileira Odebrecht.

Alvarez foi condenado a oito anos e três meses de prisão pelo crime de colusão agravada. Segundo a acusação, o ex-governador recebeu US$ 2,6 milhões em propina para que a empresa brasileira vencesse a licitação para construir a estrada Callejón de Huayalas-Chacas-San Luis em 2011.

O governador, que já estava preso por outro caso de desvio de dinheiro público, teria recebido o dinheiro da Odebrecht por meio de empresas off shore criadas em Hong Kong e em Antígua e Barbuda.

Apesar de o inquérito contra Alvarez ter sido aberto em 2015, antes da criação da equipe especial da Lava Jato no Ministério Público do Peru, o promotor Elmer Chirre obteve em abril a confissão de Jorge Barata, ex-diretor da Odebrecht no Peru, que confirmou que o ex-governador recebeu propina para que a construtora brasileira fosse a responsável pela obra.

A reabilitação e a construção da estrada em Ancash, no norte do Peru, tinha um custo previsto de 404 milhões de sóis (US$ 122 milhões). No entanto, o valor final foi de 559 milhões de sóis (US$ 169 milhões).

Segundo os promotores, Alvarez adiantou o pagamento de quase a metade do custo total da obra à Odebrecht para garantir que a propina cobrada da empresa fosse devidamente paga.

Além de Alvarez, outros sete ex-funcionários do governo de Ancash foram condenados pela juíza Nayko Coroado, responsável pelo caso, pelo crime de colusão agravada. Eles ainda terão que pagar uma reparação civil de 10 milhões de sóis (US$ 3 milhões).

Após a publicação da decisão, Chirre ressaltou o trabalho da equipe do Mistério Público e a autonomia que os promotores tiveram para investigar o caso.

"Tenho que reconhecer o trabalho dos promotores de Ancash, que iniciaram a investigação. Nós já assumimos na etapa do julgamento", afirmou o responsável pela acusação.

O Peru foi um dos países mais abalados pelos desdobramentos da Lava Jato no exterior. Os quatro últimos presidentes do país são acusados de corrupção por terem recebido dinheiro da Odebrecht.

Alejandro Toledo está foragido nos Estados Unidos. Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski foram presos preventivamente após pedido da Justiça. E Alan García se suicidou em abril pouco antes de ser detido por agentes da Polícia Nacional.