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O ex-integrante do Exército Colombiano de Libertação Nacional (ELN), Luis Jhon Castro Ramírez, conhecido como El Zarco, declarou-se vítima de perseguição política na Colômbia nesta quinta-feira e pediu para não ser extraditado por medo de ser assassinado no seu país.

Por meio de videoconferência, Castro Ramírez se pronunciou da prisão durante a audiência de extradição realizada hoje pela Audiência Nacional da Espanha.

Por outro lado, o Ministério Público espanhol apoia a extradição por considerar que estão cumpridos os principais requisitos, tal como já havia defendido quando este mesmo tribunal concordou em 2019 que o guerrilheiro fosse entregue à Colômbia.

No entanto, a extradição finalmente não saiu do papel, devido principalmente às circunstâncias da pandemia, de acordo com o procuradoria, depois que seu pedido de asilo foi negado e a Interpol foi notificada em dezembro de 2020 para prosseguir com a entrega.

A Audiência Nacional chegou a libertá-lo, mas Castro Ramírez foi preso novamente no último mês de fevereiro em Alicante, no leste da Espanha, após uma comunicação da Interpol e a apresentação de novos pedidos de extradição.

O Ministério Público esclareceu hoje que, se a entrega não ocorreu anteriormente, não foi devido a "um despedimento da Colômbia".

Durante a audiência de hoje, El Zarco assegurou que está sendo perseguido por denunciar os mesmos atos pelos quais é acusado na Colômbia: enganar e entregar dezenas de jovens ao exército para serem assassinados, uma prática conhecida como "falsos positivos".

Para se opor à extradição, Castro, também conhecido como "Mono" ou "Antoni", enfatizou que não tirou a vida de ninguém.

"Peço proteção porque denunciei à procuradora (colombiana) Fabiola Bermúdez Roa e agora eles próprios querem me crucificar", ressaltou.

Segundo sua versão, depois de denunciar o que estava acontecendo com os "falsos positivos", tentaram matá-lo em duas ocasiões; enquanto seu advogado também o definiu como mais uma vítima do conflito armado na Colômbia.

"Estava prestes a se tornar mais um falso positivo", enfatizou, lembrando dos ataques a tiros que o próprio Castro disse ter sofrido.

Além disso, destacou que, graças à sua denúncia à procuradoria de Cali (Colômbia), "esses fatos hediondos vieram à tona" e, para justificar a tese de perseguição política, lembrou que o próprio presidente colombiano, Iván Duque, decidiu sobre sua extradição.

"Esse bandido altamente perigoso deve ser extraditado. Esse criminoso deve vir para responder à Colômbia", disse Duque sobre Castro, segundo o advogado.

Na opinião da defesa, essas manifestações violam o direito à proteção judicial efetiva e a um processo com todas as garantias.

Segundo a denúncia, Castro é um "desmobilizado" do ELN que está sendo investigado por quatro casos de entrega de jovens para seus assassinatos em Cali e nas cidades de Coyaima, Guamo e Potrerito, no departamento de Tolima.

Com a macabra prática de "falsos positivos" que começou na década de 1990, membros do exército recrutaram camponeses pobres e jovens com promessas de emprego e, uma vez convencidos, mataram-nos a sangue frio e depois os apresentaram como guerrilheiros mortos em combate.