EFEQuito

O ex-presidente do Equador Abdalá Bucaram, de 68 anos, foi detido na manhã desta quarta-feira, na residência que possui em Guayaquil, em uma operação contra a corrupção ordenada pelo Ministério Público em várias cidades.

Bucaram, que governou o Equador entre 1996 e 1997, foi detido por posse ilegal de arma enquanto agentes revistavam o imóvel em busca de provas de suposta corrupção na compra de material médico durante a pandemia de Covid-19.

Nas redes sociais, o Ministério Público informou que foi encontrada na casa de Bucaram "uma arma de fogo sem justificativa de posse".

OPERAÇÃO EM VÁRIAS CIDADES.

A batida ocorreu na casa do ex-mandatário em Guayaquil, localizada na zona de Kennedy Norte, como parte de uma investigação por "suposto peculato em contratos de aquisição de material médico", no caso do Hospital do Seguro Social.

A operação no domicílio do ex-presidente não foi a única. Mais de 50 inspeções têm sido realizadas neste manhã em vários municípios da província de Guayas, entre eles Guayaquil, Daule e Samborondón. Outra residência revistada foi a do filho do ex-mandatário, Dalo Bucaram.

"Em uma violação total de direitos, sem ninguém presente em minha casa, a polícia invadiu a minha residência sem qualquer denúncia ou crime. Isto é um ultraje sem precedentes. Lenín (Moreno, atual presidente), que garantias há de um processo justo? Isto é um abuso", escreveu Bucaram filho nas redes sociais.

O Ministério Público também inspecionou na casa do governador da província de Guayas, Carlos Luis Morales, por outro caso de suposto tráfico de influência na compra de material médico nos últimos dois meses e meio, embora neste caso a implicação possa corresponder a dois enteados.

Em um primeiro comunicado, a Procuradoria-Geral da República informou que "a força-tarefa está executando simultaneamente mandados de busca e detenção em Quito e Guayaquil relacionados com vários casos de corrupção no âmbito da emergência sanitária da Covid-19".

As operações têm a ver com qualquer tipo de suspeitas surgidas nos últimos dois meses sobre a aquisição irregular de equipamentos e medicamentos para lidar com a pandemia, que no país atingiu principalmente Guayaquil.

O Equador, onde até o momento foram registrados mais de 40 mil casos, 3.438 mortes confirmadas e 2.201 mortes provavelmente relacionadas à Covid-19, viveu dois meses dramáticos na segunda quinzena de março e no mês abril, o que levou à aquisição acelerada de provisões médicas para encarar a pandemia. Alguns contratos foram sendo denunciados por suposta corrupção e irregularidades, principalmente por preços exagerados.

Nesta manhã, pouco depois do início das operações, o presidente Lenín Moreno elogiou a ação do Ministério Público.

"Desde o início do nosso governo, temos garantido que a justiça funcionará de forma independente. O trabalho do Ministério Público tem o nosso apoio. A única forma de derrotar a corrupção é combatê-la em conjunto", afirmou em comunicado.