EFENova York

Ex-presidente da República Dominicana, Leonel Fernández disse nesta quinta-feira, em Nova York, que a integração regional da América Latina, que de acordo com ele "hoje está em crise", é necessária para recorrer à comunidade internacional por ajuda para superar a crise financeira provocada pela pandemia do coronavírus.

"Sem integração regional não temos força para pedir à comunidade internacional que venha numa atitude de cooperação e solidariedade como deveria ser, porque os recursos existem", disse o político em uma entrevista à Agência Efe durante o primeiro dia do fórum sobre América Latina e Caribe organizado pela Fundação Global Democracia e Desenvolvimento, que ele fundou e preside.

Este é o terceiro fórum realizado pela Fundação, todos em Nova York e no âmbito da Assembleia Geral das Nações Unidas, que no ano passado não ocorreu devido à pandemia, um assunto que foi o foco da maior parte de debates nesta edição, realizada no Union League Club.

O evento conta com a presença de outros três ex-presidentes latino-americanos: Laura Chinchilla, da Costa Rica; Ricardo Lagos, do Chile; e Ernesto Samper, da Colômbia, além de acadêmicos e representantes de organizações internacionais.

Segundo Fernández, a solidariedade e cooperação das nações mais desenvolvidas em relação aos países em desenvolvimento tem estado ausente durante a crise da covid-19 - "o que nos mostrou um mundo desigual e injusto", disse.

"Hoje, o sistema financeiro global dispõe de mais de US$ 700 trilhões em ativos financeiros. Apenas com uma porcentagem dos juros que isso gera, poderiam ser resolvidos muitos dos problemas da humanidade, mas esta atitude não existe hoje", disse Fernández, três vezes presidente da República Dominicana, à Efe.

Durante seu discurso no fórum, ele afirmou que, como resultado da pandemia, a dívida dos países menos desenvolvidos aumentou significativamente, uma questão que também foi destacada pelos demais palestrantes do evento.

De acordo com Fernández, o apoio solidário das nações desenvolvidas permaneceu "retórico".

"É uma atitude egocêntrica de continuar a acumular riqueza em detrimento da maioria da população mundial", declarou.

O político dominicano também enfatizou que os governos precisam aumentar suas receitas a fim de continuar com uma política de gastos públicos adequada à situação, mas questionou "de onde virá esse dinheiro".

"O dinheiro deve vir obviamente de fora, com a criação de um fundo global de cooperação e solidariedade que não existe, tem sido apenas em retórica, em palavras", reiterou.

"Houve uma conversa inicial de US$ 10 trilhões para o mundo em desenvolvimento, e nada apareceu", acrescentou.

Fernández acredita que os países terão que fazer ajustes, mas que uma reforma fiscal não é a solução para a crise gerada pela pandemia e o impacto econômico que ela provocou na região.

"Aqui precisa pagar necessariamente aquele que mais tem", argumentou.

Fernández também destacou que o fórum da Fundação procura ter uma visão mais coerente da situação na América Latina e no Caribe e um plano de ação "com relação ao que temos que fazer na região para garantir prosperidade e bem-estar".

O trabalho da Fundação, acrescentou ele, "é conseguir uma melhor compreensão da realidade, porque não se pode transformar o que não se conhece, e com base nesse conhecimento, sugerir um conjunto de ideias e iniciativas de projetos para que todos entrem", a fim de progredir na superação da situação atual criada pela pandemia.