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A família do ex-ministro da Defesa da Venezuela Raúl Isaías Baduel solicitou nesta sexta-feira que as causas da morte do general sejam esclarecidas, após rejeitar, mais uma vez, que ele tenha morrido em decorrência da covid-19, como alegado pela Procuradoria-Geral da República.

"Neste momento, como família, pedimos justiça, o esclarecimento das verdadeiras causas da morte do meu pai e que deixem de chamar o caso de morte por covid para continuar a apoiar as violações dos direitos fundamentais", afirmou uma das filhas de Baduel, Yaneska, em entrevista coletiva.

Ela contou que visitou o pai no último dia 2, quando Baduel lhe disse que, após ter passado por uma cirurgia de hérnia em dezembro de 2020, seu estado de saúde começou a piorar.

Depois disso, segundo ela, o general, que estava detido desde 2009 e foi aliado do falecido ex-presidente Hugo Chávez, não recebeu assistência médica adequada.

"Responsabilizo o Estado por não ter dispensado os cuidados necessários ao meu pai, por ser uma pessoa que foi enterrada viva em um centro de tortura chamado La Tumba (prisão no subsolo da sede do Sebin, o serviço de inteligência)", declarou.

Também na coletiva, a advogada da família, Yasnaida Villalobos, afirmou que Josnars, filho de Baduel que também está detido na sede do Sebin sob acusação de participar de uma operação armada contra o governo no ano passado, implorou para que seu pai fosse atendido e não foi ouvido.

A advogada denunciou ainda que, devido à morte de Baduel, Josnars foi "coagido com a intenção de gravar um vídeo, com roteiro ao lado para eximir os agentes de segurança de qualquer responsabilidade".

"Ou seja, declarar que seu pai havia recebido todos os cuidados médicos até o último minuto", acrescentou ela.

Raúl Baduel foi considerado o artífice do retorno de Chávez à presidência após o golpe que o derrubou por 48 horas em abril de 2002. Ele também foi ministro da Defesa entre 2006 e 2007.

Posteriormente, manifestou-se contra uma guinada totalitária e a proposta de reforma constitucional de Chávez.

Em 2009, o general foi preso e proibido de exercer cargos públicos até o final de sua sentença. Em 2015, ele recebeu liberdade condicional sob condições que, segundo a Justiça venezuelana, não cumpriu, o que o fez voltar à prisão em 2017, ano em que deveria completar sua pena.

Posteriormente, Baduel foi acusado de novos crimes, incluindo contra a integridade da nação e a independência, o que levou a ter sua condenação prorrogada indefinidamente.

Embora o governo tenha concedido vários perdões a inúmeros opositores, Baduel nunca esteve nas listas dos que receberam anistia. EFE